ALEXANDRE SILVEIRA - Ministro de Minas e Energia

Mesmo sem mar, Minas Gerais vai dar uma grande contribuição para a indústria brasileira de navios. Um novo e significativo mercado está se abrindo para empresas do Vale do Aço, estimuladas agora a serem fornecedoras de grandes companhias do setor de petróleo e gás natural, mediante encomendas de embarcações e estruturas metálicas em estaleiros nacionais.


Municípios como Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo, entre outros vizinhos, terão mais postos de trabalho criados, em especial de maior qualificação e mais bem remunerados. Ao mesmo tempo, haverá mais oportunidades para donos de micro e pequenas empresas, além das pessoas que trabalham por conta própria. As prefeituras disporão de maior arrecadação, com aumento de recursos para investimentos em saúde, educação, moradia e transporte.


Para isso, estamos levando para Ipatinga o “Conexões MME”, evento promovido pelo Ministério de Minas e Energia para aproximar o setor metalmecânico do Vale do Aço às grandes oportunidades do setor de óleo, gás natural e da indústria naval brasileira.


Teremos a participação de grandes companhias, como a Petrobras e a Transpetro, bem como empresas de exploração e produção de óleo e gás, além de relevantes estaleiros nacionais. Serão diversas rodadas de negócio ao longo de dois dias de programação, nesta quinta-feira (5) e sexta-feira (6).


Pelo meu longo histórico de atuação em favor da região, onde comecei minha vida pública, conheço bem as potencialidades locais.


É a roda do progresso girando, impulsionada agora pelas ações do Governo Federal de incentivo à retomada da indústria naval brasileira. Entre as medidas destacam-se a Política da Depreciação Acelerada, a Política de Conteúdo Local setorial e o Programa Potencializa E&P, conduzidos pelo MME.


A política da depreciação acelerada de navios-tanque e embarcações de apoio marítimo reduz o prazo para abater o custo desses navios de 20 anos para apenas dois anos. Esse benefício está condicionado ao desenvolvimento da indústria nacional. Parte da produção deve contar, obrigatoriamente, com produtos e serviços nacionais, o chamado conteúdo local.


Para obter as vantagens da iniciativa, as companhias interessadas devem encomendar embarcações produzidas com, no mínimo, 50% de conteúdo local. Para que isso seja possível, boa parte do aço deverá ser produzida em solo nacional, o que irá aumentar a demanda aqui mesmo, com impacto positivo direto na região do Vale do Aço.


Abandonada por gestores sem visão, a indústria naval brasileira está de volta graças à visão e à liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conhecedor do potencial dela. Estamos falando de crescimento econômico, avanço tecnológico, geração de empregos e desenvolvimento sustentável. Neste sentido, o setor de petróleo e gás natural, assim como toda sua cadeia de fornecedores, desempenha papel primordial, como motor da neoindustrialização e agente central para reativar estaleiros e induzir a inovação.


Estamos em um crescente de produção de petróleo no país: com 3,6 milhões de barris por dia chegaremos a 5,1 milhões em 2030. Isso significa mais navios tanqueiros, gaseiros e embarcações de apoio para sustentar o Brasil rumo ao lugar de quinto maior produtor e exportador de petróleo.


Recuperar a indústria naval é imprescindível para a logística no Brasil, lembrando que 95% do comércio exterior brasileiro é movimentado por via marítima. Um país com oito mil quilômetros de costa precisa dominar a construção de cargueiros e plataformas.


Trata-se, também, de uma questão de soberania nacional. Não podemos depender apenas de navios estrangeiros para viabilizar nosso comércio exterior, especialmente nosso petróleo.

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Durante muito tempo, tentaram nos convencer de que o Brasil não poderia mais construir navios. Sucatearam nossos estaleiros e exportaram nossos empregos. Mas esse tempo acabou. Estamos prontos para levantar âncora rumo aos novos desafios. Retomamos o leme do desenvolvimento nacional e estamos trazendo um oceano de oportunidades para o Vale do Aço.

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