Entre os processos ligados ao envelhecimento da pele, a glicação tem ganhado espaço nas pesquisas. Uma revisão publicada em 2026 no Journal of Cosmetic Dermatology descreve o fenômeno como um fator ainda pouco reconhecido do envelhecimento cutâneo. Segundo o trabalho, os chamados produtos finais de glicação avançada (AGEs) se acumulam no colágeno e na elastina da derme, o que deixa o tecido mais rígido e menos elástico.
O tema está no centro do trabalho da professora de Educação Física e fisioterapeuta Viviane Aragão, fundadora da marca de skincare Eathern Longevité. Ela participou do Peptide Summit Orlando, nos Estados Unidos, encontro dedicado ao estudo dos peptídeos e da sua relação com o envelhecimento humano, e recebeu, ao fim do curso ministrado por médicos pesquisadores, a The Peptide Master Certification, certificação internacional em peptídeos.
Do esporte ao estudo da pele
O interesse de Viviane pela glicação começou nas provas. Entre 1999 e 2012, ela competiu no triatlo, incluindo provas de Ironman e meio Ironman. O desgaste das disputas de longa duração a levou a estudar, na prática, processos como o estresse oxidativo, a ação dos radicais livres e a glicação, todos associados ao envelhecimento da pele e do corpo.
Formada em Licenciatura Plena em Educação Física e Fisioterapia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), ela soma 26 anos de experiência em saúde, performance humana, estética e longevidade. Na carreira, treinou atletas e acompanhou centenas de alunos, principalmente acima dos 40 anos, em trabalhos de força, mobilidade, composição corporal e longevidade funcional.
Por que a pele mostra primeiro
No congresso, uma das linhas discutidas foi como a presença de alguns peptídeos, cadeias curtas de aminoácidos que participam de diversas funções do organismo, muda ao longo do envelhecimento. A pele tem lugar central nessa conversa, porque é nela que os sinais do tempo costumam aparecer antes. Por isso, é um dos focos das pesquisas com peptídeos voltadas a textura, firmeza, hidratação e barreira cutânea.
"Entender como o corpo envelhece e como os peptídeos participam desse processo mostra o que cada órgão precisa para envelhecer e viver melhor. E a pele é onde a gente costuma perceber isso primeiro", afirma Viviane.
Glicação como eixo de uma marca
A trajetória deu origem à Eathern Longevité, marca de beleza, autocuidado e longevidade desenvolvida e operada pela Tessora e comercializada pela Casa Três. A proposta tem como eixo a glicação, o estresse oxidativo e a regeneração, e a linha de estreia reúne cremes com peptídeos de cobre e PDRN, além de óleos puros.
O público que Viviane acompanhou por anos também tem peso no consumo do setor. Segundo pesquisa da Touch Branding para a Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), divulgada em 2025, adultos com 40 anos ou mais se destacam no consumo de produtos para cuidados com a pele.
Para ela, acompanhar eventos científicos internacionais faz parte do desenvolvimento da marca. "O que busco para construir a Eathern é justamente isso: ciência aplicada. Por isso estou sempre nesses congressos, perto dos médicos pesquisadores. Envelhecer bem não é sorte, é ciência aplicada com disciplina ao longo da vida", resume.
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A glicação, portanto, está ligada ao acúmulo de AGEs nas fibras de colágeno e elastina, o que torna a pele mais rígida e menos elástica com o passar dos anos. É esse processo, observado por Viviane desde os tempos de atleta, que hoje orienta a proposta da Eathern Longevité.
