Antes de qualquer procedimento estético, existe uma conversa. Para o médico Aihan Kirchhoff, formado pela UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) e pós-graduado em dermatologia e cirurgia estética pelo CEMEPE, em Belo Horizonte, é nessa etapa que se define o rumo de um tratamento. Fundador da AionClinic, no Itaim Bibi, em São Paulo, ele considera a consulta o centro de todo o processo.

É na consulta, segundo ele, que o médico identifica o que é de fato sinal de envelhecimento, o que pode ou não ser tratado e o que está por trás do incômodo que levou o paciente ao consultório. “Há sinais da idade que não vamos tratar, e às vezes o que está desencadeando aquele incômodo é uma ansiedade, uma angústia, que a pessoa nem percebeu. Tudo isso precisa ser analisado com escuta e empatia. É assim que se constrói uma relação médico-paciente de verdade.”

Escuta antes da técnica

A rotina no consultório reforça essa visão. Kirchhoff atende com frequência pacientes que vivem fora do Brasil, em cidades como Miami e Orlando, na Nova Zelândia, na França e em outros países da Europa. A queixa costuma se repetir: a dificuldade de encontrar, onde moram, médicos que conversem e se preocupem de verdade com o cuidado. “Muitas vezes, o que a paciente quer é ser escutada. Nem sempre ela sabe explicar o que a incomoda, e nem sempre a resposta é uma grande intervenção”, diz.

O médico também chama atenção para o atendimento centrado apenas na execução, que diz observar no exterior e no Brasil. “Técnica é fundamental, mas não basta. Quando o foco é só executar o procedimento, sem olhar para o indivíduo, para o resultado final, para o risco de uma cicatriz, é aí que aparecem os exageros.” Por isso, ele recomenda que o paciente avalie a formação de quem vai atendê-lo: alguém capaz de entender a queixa e o momento de vida, distinguir o que faz sentido do que não faz e perceber quando o incômodo tem outra origem, como a ansiedade.

A formação que vem de Minas

Kirchhoff relaciona essa postura ao próprio percurso acadêmico. Ele se formou em Medicina na UFOP, com intercâmbio na Universidade de Coimbra, em Portugal, e fez a pós-graduação no CEMEPE, na capital mineira. Na avaliação dele, médicos formados em universidades públicas com tradição humanista aprendem cedo a colocar o paciente no centro. “Aprendemos desde cedo que a medicina é centrada no paciente. E não existe beleza sem saúde: saúde do corpo, saúde mental e saúde social. As três estão conectadas. Se uma delas não vai bem, em algum momento o equilíbrio se perde. O que lá fora está sendo discutido agora, o médico brasileiro bem formado já pratica no dia a dia.”

Um diferencial reconhecido lá fora

Em 2026, o médico circulou por alguns dos principais centros da área. Esteve no AMWC, em Mônaco, um dos congressos de medicina estética mais relevantes do mundo, visitou a Clinique La Prairie, em Montreux, na Suíça, e fez um curso de educação médica continuada da Harvard Medical School sobre lasers, tecnologias e terapias injetáveis. Também palestrou para empresários em um cruzeiro pelo Mar Mediterrâneo e recebeu o Troféu Destaque pela apresentação. Quando contava ser brasileiro, percebia curiosidade sobre a forma de atender. “As pessoas queriam saber como fazemos. Grande parte dos médicos brasileiros tem escuta ativa e empatia. A gente presta atenção no que o paciente diz, entende a queixa, a dor dele. Isso é muito valorizado lá fora.”

O peso do país no setor aparece nos números. Segundo a Pesquisa Global da ISAPS (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética), o Brasil realizou 3,2 milhões de procedimentos estéticos em 2025, atrás apenas dos Estados Unidos, e lidera o ranking mundial de procedimentos cirúrgicos, com 2,3 milhões.

O que observar na escolha do profissional

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Para quem pensa em fazer um procedimento estético, a orientação de Kirchhoff é olhar primeiro para a avaliação, e só depois para o produto ou a técnica. O profissional adequado escuta a queixa, explica o que pode e o que não pode ser tratado, monta um plano individual e segue acompanhando o paciente depois do resultado, com manutenção e cuidado contínuo. “Medicina levada a sério é medicina centrada no paciente. É estudar cada pessoa, escolher o melhor caminho entre o que existe de disponível e ter tempo de qualidade para conversar, acompanhar e cuidar.”

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