Em um hospital, a equipe que atende pela manhã raramente é a mesma que assume à noite, e nenhuma delas para ao mesmo tempo. Técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos e equipes de apoio se revezam em plantões, muitas vezes em mais de uma unidade. Quando um protocolo muda e a orientação precisa chegar a todos, reunir essas pessoas numa sala, no mesmo horário, se torna inviável. A saída tem sido levar a capacitação para plataformas digitais que acompanham a escala de cada profissional.

Um exemplo é o LMS (Learning Management System, ou sistema de gestão de aprendizagem) da Inspand, empresa de educação corporativa. A plataforma é usada atualmente por mais de 180 mil profissionais da saúde, que já concluíram mais de 690 mil cursos em 2026, média superior a 3,8 por pessoa.

Turnos, unidades e funções diferentes

A dificuldade de treinar quem trabalha em escala está na própria rotina do setor. O técnico do plantão noturno e o enfermeiro do turno da manhã precisam receber a mesma orientação, cada um dentro do tempo que tem disponível. Em unidades com atendimento 24 horas, a escala nunca fecha: sempre há alguém de plantão enquanto outra parte da equipe está de folga.

“A equipe de saúde não para para estudar no mesmo horário. São plantões, unidades e funções diferentes, e a plataforma precisa entregar o conteúdo certo para cada pessoa, no momento em que ela pode fazer o curso”, afirma Gustavo Marson, CTO da Inspand.

Como saber quem já foi treinado

Com o conteúdo disponível em horários diferentes, a preocupação do gestor passa a ser outra: acompanhar quem concluiu cada curso. Esse controle importa porque a orientação só tem efeito se chegou a todos os envolvidos.

“Na saúde, a capacitação acompanha o ritmo da operação. Quando um protocolo muda, a instituição precisa garantir que a orientação chegou a todos os profissionais envolvidos e ter como comprovar isso”, diz Cristiano Franco, CEO da Inspand.

Segundo Marson, o registro de cada conclusão é o que permite ao gestor enxergar a equipe por inteiro. “Cada conclusão gera um registro que o gestor consegue cruzar por unidade, função e prazo. É esse dado que mostra onde a capacitação avançou e onde precisa de reforço”, explica.

Uma equipe grande e em expansão

O desafio cresce junto com o setor. A enfermagem reúne mais de 3 milhões de profissionais inscritos, segundo o Cofen (Conselho Federal de Enfermagem), e o número de vínculos da categoria cresceu 44% entre 2017 e 2022, de 1 milhão para 1,5 milhão de postos. De acordo com o IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar), a cadeia produtiva da saúde encerrou 2024 com 5,1 milhões de trabalhadores formais, o equivalente a 10,9% dos empregos do país. Cada pessoa que entra numa escala precisa conhecer os protocolos da instituição.

Quem já trabalha assim

Entre as organizações atendidas pela Inspand no setor estão o Hospital Pequeno Príncipe, o ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), o GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), a Rede Santa Catarina, a Rede IMAS, a Unimed Paraná, a Amil e o Hermes Pardini. A carteira inclui também empresas e entidades da cadeia, como MedForYou, FCB Saúde, FQM e Sindusfarma. São rotinas distintas, com um problema em comum: equipes grandes, que não param ao mesmo tempo e precisam receber a mesma informação.

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Para treinar funcionários que trabalham em turnos, portanto, o modelo combina dois elementos: conteúdo disponível na janela de tempo de cada profissional e acompanhamento da conclusão por unidade e função. A média de 3,8 cursos concluídos por pessoa na base da Inspand mostra que, com essa organização, a capacitação se repete ao longo do tempo, mesmo em equipes que nunca estão reunidas.

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