A menopausa faz parte da vida de milhões de brasileiras, mas cada mulher atravessa essa fase de um jeito. A pesquisa "Profile of Brazilian climacteric women: results from the Brazilian Menopause Study", publicada na revista Climacteric realizada com 1.500 participantes de 45 a 65 anos identificou sintomas do climatério em 87,9% delas. No mesmo estudo, a idade mediana da menopausa foi de 48 anos.

A FEBRASGO estima que cerca de 17 milhões de mulheres de 40 a 65 anos estejam no climatério no país. O número ajuda a dimensionar o tema, mas não significa que todas tenham sintomas ou precisem dos mesmos cuidados.

O climatério é a transição que antecede e sucede a menopausa. A menopausa, por sua vez, é confirmada depois de 12 meses consecutivos sem menstruação. A fase pode envolver ondas de calor, mudanças no sono e no humor, alterações na saúde íntima, perda de massa óssea e mudanças na pele e na composição corporal. "Só é confirmada retrospectivamente após 12 meses consecutivos sem menstruar, quando não existe outra causa para a ausência da menstruação", explica Dra. Paula Fettback, Ginecologista Especialista em Reprodução Humana, Climatério e Menopausa.

Para ajudar a entender o que merece atenção e quais cuidados podem fazer parte dessa etapa, especialistas de diferentes áreas ajudaram a criar um guia com respostas das principais dúvidas.

Hormônios e sintomas: cada mulher vive uma experiência

Na perimenopausa, período que antecede a última menstruação, os níveis hormonais podem oscilar. Depois da menopausa, o estradiol tende a permanecer mais baixo. A endocrinologista Dra. Tassiane Alvarenga alerta que essa transição pode repercutir em diferentes áreas da saúde. "A perimenopausa não é uma queda hormonal em linha reta. É uma verdadeira montanha-russa hormonal", afirma a médica. Ela explica que também podem ocorrer alterações no sono, no humor, na saúde óssea, na composição corporal e na saúde sexual.

Os sintomas mais característicos incluem ondas de calor, suores noturnos e mudanças no ciclo menstrual. Dificuldade para dormir, irritabilidade, ressecamento vaginal e alterações urinárias também podem aparecer. Ainda assim, cansaço persistente, palpitações e dificuldade de concentração podem ter outras causas e precisam ser avaliados.

"Mas a mulher não é apenas o resultado dos seus exames hormonais. Envelhecimento, saúde mental, sono, alimentação, movimento e doenças preexistentes também fazem parte dessa história", diz Tassiane. "Duas mulheres na mesma fase da vida podem viver experiências completamente diferentes."

A terapia hormonal pode aliviar sintomas como ondas de calor e suores noturnos, mas não é indicada para todas. A decisão depende da avaliação individual, do histórico de saúde, dos sintomas e de possíveis contraindicações. "Terapia hormonal não é obrigação, mas também não deveria ser tabu", afirma a endocrinologista.

Saúde íntima: desconforto não precisa ser normalizado

A queda do estrogênio pode deixar os tecidos da vagina, da vulva e do trato urinário mais finos, menos elásticos e menos lubrificados. Algumas mulheres sentem ressecamento, ardência ou dor durante as relações; outras percebem urgência ou aumento da frequência urinária.

Essas alterações são conhecidas como síndrome geniturinária da menopausa. A Dra. Paula Fettback, Ginecologista, ressalta que os sintomas podem persistir quando não são tratados. "Sentir dor nas relações ou conviver com desconforto íntimo não deve ser considerado uma consequência inevitável do envelhecimento. É comum, mas não precisa ser normalizado", diz Paula.

A escolha do cuidado depende dos sintomas e do histórico de cada mulher. Hidratantes vaginais podem ajudar na rotina, enquanto lubrificantes reduzem o atrito durante as relações. O especialista também pode avaliar tratamentos locais e outras opções. Sangramentos após a menopausa ou alterações persistentes devem ser investigados.

Alimentação e força muscular: cuidados que se complementam

A menopausa também é um momento para observar força, mobilidade e hábitos alimentares. A nutricionista Vanessa Raio, especialista em Climatério e Menopausa, chama atenção para a perda de massa muscular, que pode ocorrer de forma gradual.

"O alerta importante é: essa perda costuma ser silenciosa", afirma Vanessa. Dificuldade crescente para subir escadas, carregar sacolas ou levantar do chão pode ser um sinal de que a força merece atenção.

A alimentação pode incluir fontes de proteína acessíveis, como ovos, frango, sardinha, feijão, lentilha, grão-de-bico, leite e iogurte. Vanessa sugere distribuir esses alimentos ao longo do dia e combiná-los com exercícios de força, que ajudam a preservar músculos e autonomia. Suplementos podem ser considerados conforme as necessidades e a avaliação profissional de cada pessoa.

A nutricionista também destaca a importância de atividade física, sono adequado, alimentação variada e acompanhamento de fatores como pressão arterial, glicemia e colesterol. A necessidade de exames para avaliar saúde óssea deve ser definida conforme idade e fatores de risco.

Pele na menopausa: hidratação e proteção solar são centrais

A queda hormonal pode contribuir para mudanças na hidratação, elasticidade e firmeza da pele. "O estrogênio tem um papel importante na manutenção da saúde da pele, participando da produção de colágeno, da hidratação, da elasticidade e da função de barreira cutânea", explica Dra. Rafaella Caruso, Dermatologista da SBD.

Uma rotina básica pode incluir limpeza suave, hidratante e protetor solar. A dermatologista recomenda atenção à sensibilidade e ao ressecamento, evitando água muito quente, sabonetes agressivos e excesso de esfoliação. Ativos como retinoides podem ser indicados para algumas queixas, mas precisam ser escolhidos de acordo com a tolerância da pele.

"Não existe uma única rotina ideal para todas as mulheres na menopausa. O objetivo é escolher estratégias que façam sentido para a pele, para as queixas e para a realidade de cada paciente", reforça Dra. Rafaella Caruso, Dermatologista da SBD.

Tatianne Morais Farmacêutica e Bioquímica destaca que uma boa hidratação, indispensável na menopausa, combina ativos com funções diferentes. "Nessa fase a pele perde nos três", afirma, referindo-se à umectação, à emoliência e à oclusão, mecanismos que ajudam a atrair água, manter a pele macia e reduzir a perda de hidratação.

Entre os ativos que podem compor produtos para a pele, Tatianne cita ácido hialurônico, glicerina e pantenol, além de ceramidas e lipídios, que ajudam a reforçar a barreira cutânea. Ela recomenda introduzir ácidos e retinoides aos poucos e evitar o uso simultâneo de muitos ativos intensos, especialmente quando a pele está sensível.

"Uma regra simples: de manhã, proteção. À noite, renovação e reparo", orienta Tatianne.

Manchas ou lesões novas que mudam de tamanho, cor ou formato, sangram ou não cicatrizam precisam de avaliação dermatológica. Queda capilar acentuada, coceira frequente e vermelhidão persistente também merecem investigação.

Um cuidado que acompanha a mulher

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A menopausa pode ser uma oportunidade para rever o cuidado com a saúde como um todo: sintomas, sono, alimentação, atividade física, saúde íntima e acompanhamento médico. Não existe uma rotina única que sirva para todas. O caminho é conversar com profissionais de saúde e escolher, em conjunto, os cuidados adequados a cada história.

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