É um dos primeiros medos que aparecem quando uma família considera matricular o filho pequeno num currículo em inglês: será que aprender dois idiomas ao mesmo tempo atrasa o desenvolvimento da língua portuguesa? A resposta, segundo a ciência, é não.
Uma revisão de literatura conduzida por pesquisadores da UEM (Universidade Estadual de Maringá), publicada em 2025 na revista científica ArqMudi, reuniu estudos das bases PubMed e LILACS sobre os efeitos da aquisição de um segundo idioma em diferentes idades. A revisão não encontrou evidência de que o bilinguismo precoce prejudique o desenvolvimento da língua materna. Pelo contrário, encontrou que o cérebro infantil apresenta maior eficiência estrutural ao lidar com dois sistemas linguísticos ao mesmo tempo do que o cérebro adulto.
O que costuma confundir os pais é uma fase normal do desenvolvimento bilíngue, em que a criança mistura palavras dos dois idiomas nas primeiras frases. Especialistas em aquisição de linguagem consideram esse comportamento transitório e esperado, não um sinal de atraso, e ele tende a se resolver sozinho conforme a criança distingue melhor os dois sistemas.
Currículos internacionais como o do IB (International Baccalaureate) trabalham com essa lógica desde a primeira etapa da formação. O PYP (Primary Years Programme), voltado a crianças de 3 a 12 anos, usa o inglês como língua de instrução ao lado do português, não no lugar dele.
Na Valley International School, em Itajaí (SC), autorizada no Primary Years Programme desde 2021, o português segue presente na rotina escolar ao lado do inglês, em linha com a estrutura bilíngue do currículo. “O inglês não é uma matéria extra na rotina da criança, é a língua em que ela investiga o mundo desde os primeiros anos, e é isso que muda o resultado no longo prazo”, afirma Augusto Dantas, coordenador do Primary Years Programme da Valley International School.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Para pais preocupados com esse tipo de atraso, o recado dos especialistas é direto: o cérebro infantil foi feito para lidar com mais de um idioma ao mesmo tempo, e a ciência até aqui não encontrou motivo real para postergar esse contato.
