Riscos que surgem no espaço entre uma área e outra das empresas, e que por isso costumam passar sem resposta, deram o tom da primeira edição do Compliance 360°: conectando tecnologia, integridade e pessoas. Realizado em 21 de outubro, em São Paulo, pela clickCompliance e pelo Kronoos, o evento reuniu mais de 150 profissionais da área em um dia inteiro de programação, das 9h às 18h.

Participaram dos painéis executivos de Embraer, Mercedes-Benz, Norsk Hydro, Howden Brasil, Fundação Butantan, TozziniFreire, Elopar, Clariens Educação, MetLife, Natura Pay, Unimed Campinas, Grupo Biolab, OEC e Qualicorp.

Quatro temas e um mesmo ponto de partida

A programação foi dividida em quatro eixos: conflito de interesses, gestão de terceiros, inteligência artificial aplicada a canais de denúncia e sanções internacionais e listas restritivas na relação com parceiros comerciais. Os conteúdos foram pensados para provocar reflexão sobre a falta de integração entre as frentes dos programas de compliance e sobre o que se perde quando cada uma trabalha isolada.

“Boa parte das empresas já tem canal de denúncias, política de conflito de interesses e processo de due diligence. A proposta do Compliance 360° foi olhar para o que acontece entre essas frentes. Um fornecedor citado em uma denúncia, um conflito declarado que nunca chega ao time de compras: é nesses intervalos que o risco cresce sem que ninguém perceba”, afirma Marcelo Erthal, CEO da clickCompliance.

Por que o assunto interessa ao empresário

A conta das lacunas aparece nos números. O relatório Occupational Fraud 2026, da ACFE (Association of Certified Fraud Examiners), reuniu 2.402 casos em 143 países e estima que as organizações perdem cerca de 5% da receita anual com fraudes internas. Um esquema típico leva 12 meses até ser descoberto, e 43% das fraudes vieram à tona a partir de um relato.

Parceiros comerciais também entram nessa equação. Em pesquisa do Gartner divulgada em 2025, mais de 82% dos líderes de compliance ouvidos disseram ter enfrentado consequências ligadas a riscos de terceiros nos 12 meses anteriores, e a gestão de terceiros foi apontada como a principal prioridade do grupo.

Tecnologia e regras no centro da conversa

Entre as aplicações de tecnologia, a que mais rendeu debate foi a triagem, com inteligência artificial, dos relatos que chegam pelos canais de denúncia. Também esteve em pauta o cruzamento de dados de fornecedores e parceiros com listas restritivas e de sanções. A lógica é automatizar processos operacionais e acompanhar obrigações regulatórias, deixando a equipe livre para analisar e decidir.

O uso de IA já é comum nas áreas de controle. Levantamento do Gartner com 161 executivos de auditoria interna, feito em maio de 2026, mostra que 93% dessas áreas usam a tecnologia em algum nível, embora 60% ainda não tenham uma estratégia formal para ela.

No campo das regras, o Decreto 11.129/2022, que regulamenta a Lei Anticorrupção (12.846/2013), avalia a efetividade dos programas de integridade a partir de parâmetros como canais de denúncia, diligências para contratação e supervisão de terceiros e monitoramento contínuo.

“Quando uma fabricante de aeronaves, uma fundação de pesquisa e um escritório de advocacia comparam como enfrentam os mesmos problemas, fica claro que a integração é um desafio de todo o mercado. A tecnologia ajuda quando os dados de cada área passam a conversar. Sem isso, cada frente continua enxergando só a sua parte do risco”, diz Erthal.

Quem esteve por trás do evento

O Compliance 360° foi idealizado pela clickCompliance e pelo Kronoos, empresas de tecnologia para compliance reconhecidas como Top LegalTech pelo ranking 100 Open Startups, para estimular debates, troca de experiências e conexões na comunidade da área.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Ao longo do dia, conflito de interesses, gestão de terceiros, denúncias e sanções foram tratados como partes de um mesmo programa, que precisam trocar informação entre si para que os riscos não fiquem escondidos entre uma área e outra.

compartilhe