Uma rede de esgoto depende de pontos por onde as equipes consigam chegar à tubulação enterrada. Esses pontos são os poços de visita, instalados nos trechos em que o tubo muda de direção, de nível ou de diâmetro e usados para inspeção, limpeza e manutenção. Na drenagem urbana, eles também ligam as bocas de lobo à rede coletora.
A Asperbras, fabricante de tubos e conexões com mais de 40 anos de mercado, leva sua linha de poços de visita em PEAD (polietileno de alta densidade) e de poços de inspeção ao centro do estande de 140 m² que ocupa na Fenasan 2026 (Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente). O evento vai de 20 a 22 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo, e é promovido pela AESabesp (Associação dos Engenheiros da Sabesp). A empresa afirma ser pioneira e líder nesse segmento.
O tamanho da obra pela frente
O Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026/2020) estabeleceu que, até 2033, 90% da população tenha coleta e tratamento de esgoto, e 99%, acesso a água potável. Segundo o Ranking do Saneamento 2026, do Instituto Trata Brasil, que usa dados de 2024 do SINISA (Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico), a coleta alcança hoje 56,7% dos brasileiros, e apenas 51,8% do esgoto gerado recebe tratamento. Na prática, cerca de 90 milhões de pessoas, ou 43,3% da população, seguem sem o serviço.
As obras estão sendo contratadas. Levantamento da Abcon Sindcon (Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto), divulgado em julho, mostra empresas privadas atuando em 2.720 municípios, 48,8% das cidades do país, com mais de R$ 177 bilhões em investimentos contratados desde a aprovação da lei.
O ritmo de investimento muda de uma cidade para outra. O Plansab (Plano Nacional de Saneamento Básico) calcula em R$ 225 por habitante ao ano o valor necessário para universalizar os serviços. Entre os 100 municípios mais populosos, a média ficou em R$ 135,89 em 2024, e 51 deles investiram menos de R$ 100 por morador, de acordo com o mesmo estudo.
Fábricas em expansão
Para acompanhar esse ciclo de obras, a Asperbras conclui agora a ampliação da unidade de PVC (policloreto de vinila) de Penápolis (SP), anunciada na Fenasan do ano passado. O investimento de R$ 50 milhões acrescentou mais de 5 mil m² entre parque fabril e áreas de estocagem e distribuição, e a unidade passa a ter condições de dobrar a capacidade de produção de tubos e conexões. A expansão envolve cerca de 50 empregos diretos e 150 indiretos na região. A unidade de PEAD, inaugurada em 2023, também cresce, com foco em tubos lisos de grandes bitolas.
Thiago Rosa, diretor comercial da Asperbras, explica a decisão: “Acreditamos no avanço do Marco Legal do Saneamento e, por isso, vamos continuar investindo em produtos e na ampliação da capacidade de nossas plantas.”
Do esgoto ao campo
Além do saneamento, a Asperbras atende irrigação e agronegócio. A empresa tem seis unidades industriais, em Penápolis (SP), Macaíba (RN) e Simões Filho (BA), soma 700 empregos diretos e cerca de 1.500 indiretos e pertence à holding Colpar Brasil. A fabricante está entre as mil maiores empresas do Brasil, segundo a edição 2026 do ranking Valor 1000, do Valor Econômico.
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A Fenasan acontece junto com o Encontro Técnico da AESabesp e reúne fabricantes e fornecedores de materiais, equipamentos e soluções para o setor. Segundo a organização, são 479 expositores em 37 mil m² neste ano, com expectativa de 40 mil visitantes, e os organizadores apresentam o evento como um dos principais encontros de saneamento ambiental das Américas. O credenciamento é gratuito e está disponível no site da feira.
