Com a proximidade do verão, aumenta a procura por tratamentos dermatológicos voltados à melhora da flacidez, à qualidade da pele e à valorização dos contornos faciais e corporais. Embora a estação intensifique essa demanda, o movimento reflete uma preocupação mais ampla: a busca por resultados naturais, personalizados e alinhados à saúde da pele.
Nesse contexto, a Dra. Gabriela Scandiucci, médica com atuação em dermatologia clínica, cirúrgica e estética, ressalta que qualquer tratamento deve começar por uma avaliação individualizada. A análise da anatomia, do grau de flacidez, da qualidade dos tecidos, do histórico do paciente e de suas expectativas é essencial para definir a estratégia mais segura e adequada.
Entre as principais demandas estão os tratamentos que estimulam a produção de colágeno, melhoram a textura cutânea e auxiliam no manejo da flacidez em regiões como face, braços, abdômen e glúteos. No entanto, a escolha do procedimento não deve ser guiada apenas por tendências ou pela popularidade de determinada técnica.
O que considerar antes de escolher um tratamento
A dermatologia estética oferece diferentes possibilidades para tratar alterações de firmeza, volume e qualidade da pele. Ainda assim, não existe um procedimento universal, e a combinação de técnicas nem sempre é necessária.
Antes de iniciar qualquer tratamento, é importante:
* realizar uma avaliação dermatológica completa;
* identificar o grau de flacidez e as características dos tecidos;
* considerar o histórico de emagrecimento e a estabilidade do peso;
* alinhar expectativas realistas;
* avaliar contraindicações, riscos e tempo de recuperação;
* definir se o procedimento é adequado para a estação do ano e para a rotina do paciente.
Essa análise permite diferenciar o que é realmente necessário do que é apenas uma tendência passageira.
Bioestimuladores de colágeno: foco na firmeza e na qualidade da pele
Os bioestimuladores de colágeno ocupam um espaço importante na dermatologia estética contemporânea por estimularem a resposta biológica responsável pela produção de novas fibras de colágeno. Quando corretamente indicados, podem contribuir gradualmente para a melhora da firmeza e de determinados aspectos da qualidade da pele.
A abordagem pode ser especialmente relevante para pacientes que apresentam flacidez após mudanças significativas de peso ou que desejam tratar sinais de envelhecimento sem necessariamente aumentar o volume das regiões tratadas.
Braços e abdômen estão entre as áreas que podem demandar atenção após o emagrecimento. Nesses casos, a avaliação dermatológica ajuda a determinar se os bioestimuladores são apropriados ou se outras estratégias, isoladas ou combinadas, podem oferecer uma resposta mais adequada.
Os resultados dependem do produto utilizado, da técnica, das características individuais e do grau de comprometimento dos tecidos. Por isso, a indicação deve se basear em critérios clínicos e em um planejamento personalizado.
Contorno corporal: naturalidade e segurança devem orientar as escolhas
A busca por contornos corporais mais harmônicos também ampliou o interesse por tratamentos voltados à firmeza e à proporção entre diferentes regiões do corpo.
Os preenchedores corporais podem ter indicações específicas para correção de volume e contorno, mas exigem avaliação anatômica criteriosa, conhecimento técnico e análise dos riscos envolvidos. Nem todo paciente é candidato a esses procedimentos, e a escolha da técnica deve priorizar a segurança e a adequação clínica.
Para a Dra. Gabriela Scandiucci, o planejamento corporal precisa considerar o conjunto dos tecidos, e não apenas medidas ou volume.
"O cuidado dermatológico vai além da redução de medidas ou do preenchimento de determinadas regiões. É fundamental avaliar a qualidade da pele, a firmeza dos tecidos e as proporções corporais para compreender quais intervenções realmente fazem sentido para cada paciente. O objetivo é buscar resultados coerentes com a anatomia e preservar a naturalidade", destaca.
O rosto após o emagrecimento: o que pode mudar?
Além das alterações corporais, o emagrecimento significativo também pode modificar a aparência da face. O tema ganhou visibilidade nas redes sociais com a expressão Mounjaro face, usada para descrever mudanças faciais observadas após a perda de peso.
A expressão, porém, não representa um diagnóstico médico. Ela costuma se referir à redução do volume de gordura subcutânea, à maior evidência de sulcos, à alteração dos contornos e à percepção de flacidez.
Essas transformações não são exclusivas de pacientes que utilizam tirzepatida ou outros medicamentos para controle do peso. Elas podem ocorrer após diferentes processos de emagrecimento, dependendo de fatores como:
* quantidade de peso perdida;
* velocidade do emagrecimento;
* idade;
* predisposição individual;
* qualidade e elasticidade dos tecidos;
* distribuição da gordura facial.
Por isso, o tratamento não deve se basear automaticamente na reposição de volume. A avaliação precisa considerar a qualidade da pele, a distribuição dos compartimentos de gordura, a sustentação dos tecidos e a estabilidade do peso.
Em alguns casos, os preenchedores podem ser indicados. Em outros, abordagens voltadas à qualidade cutânea e ao estímulo de colágeno podem ser mais apropriadas.
O momento do tratamento também deve ser cuidadosamente planejado, especialmente quando o processo de emagrecimento ainda está em andamento.
"Estamos diante de uma demanda crescente por tratamentos que acompanhem as mudanças do corpo após o emagrecimento. O mais importante é entender o que mudou em cada paciente e construir um plano individualizado, sem exageros e sem a necessidade de reproduzir padrões estéticos. A naturalidade deve ser uma consequência de uma boa avaliação e de escolhas bem fundamentadas", ressalta a médica.
Cuidados essenciais com os procedimentos durante o verão
Embora o verão estimule a procura por procedimentos estéticos, a realização de tratamentos nessa época exige atenção à exposição solar, ao calor e ao período necessário para a recuperação da pele.
Peelings químicos e determinados procedimentos a laser podem provocar inflamação, sensibilidade e alterações de pigmentação, especialmente quando os cuidados posteriores não são respeitados. A indicação e o momento do tratamento devem considerar:
* o tipo de pele;
* a profundidade do procedimento;
* o histórico de manchas;
* a possibilidade de evitar a exposição solar;
* o tempo de recuperação;
* a rotina e os compromissos do paciente.
Isso não significa que todos os procedimentos dermatológicos devam ser suspensos no verão. Algumas intervenções podem ser realizadas com segurança quando há indicação adequada, planejamento e cumprimento rigoroso das orientações profissionais.
A consulta dermatológica é fundamental para estabelecer prioridades, identificar contraindicações e definir quais tratamentos podem ser realizados naquele momento e quais devem ser programados para outra estação.
Fotoproteção: uma etapa indispensável
Independentemente da realização de procedimentos, a fotoproteção diária continua sendo um dos pilares do cuidado dermatológico. Para preservar a saúde da pele e os resultados dos tratamentos, é importante:
* utilizar protetor solar adequado ao tipo de pele;
* reaplicar o produto conforme a exposição e as condições de uso;
* recorrer a barreiras físicas, como chapéus, roupas e óculos de sol;
* evitar a exposição solar intensa, especialmente nos horários de maior radiação;
* seguir a rotina de cuidados recomendada pelo dermatologista.
Essas medidas ajudam a reduzir os danos causados pela radiação ultravioleta e a diminuir o risco de alterações de pigmentação durante a recuperação.
Uma dermatologia baseada em planejamento e naturalidade
A evolução da dermatologia estética ampliou as possibilidades de tratamento, mas também reforçou a importância de reconhecer os limites de cada técnica. Mais do que seguir tendências, o objetivo deve ser identificar as necessidades reais da pele e dos tecidos, preservar a harmonia das características individuais e escolher intervenções compatíveis com a saúde e a segurança do paciente.
Para a Dra. Gabriela Scandiucci, a preparação para o verão deve ser entendida como parte de um cuidado contínuo. Esse processo começa com uma avaliação dermatológica, passa pela definição de objetivos realistas e se desenvolve com indicações precisas e acompanhamento profissional.
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A proposta é integrar dermatologia, cosmiatria e tratamentos estéticos de maneira estratégica, considerando as particularidades de cada rosto e corpo. Em um cenário no qual a estética está cada vez mais presente nas redes sociais, a informação qualificada e a avaliação médica individualizada são fundamentais para diferenciar tendências passageiras de cuidados dermatológicos baseados em critérios clínicos e científicos.
