Para o empresário que paga ferramentas, anúncios ou fornecedores fora do país, o trabalho não termina quando a transferência é concluída. No fim do mês, alguém da equipe precisa reunir extratos de bancos, corretoras e plataformas diferentes, conferir comprovantes e identificar a qual fornecedor, produto ou área pertence cada saída em dólar, euro ou pesos.

É essa rotina que a Trepzy, empresa de pagamentos internacionais incorporada em Delaware, nos Estados Unidos, quer simplificar ao chegar ao Brasil com uma conta global voltada à gestão financeira de quem paga e recebe em várias moedas. O foco inicial está no Brasil e na América Latina, e as pequenas e médias empresas formam o público prioritário.

Por que a conciliação pesa no caixa

Enquanto os lançamentos não batem, o gestor decide quanto converter e em que moeda manter os recursos com base em números desatualizados. E o volume dessas operações cresce. Segundo o Banco Central, as despesas líquidas com telecomunicações, computação e informações, grupo que reúne gastos com software e nuvem, somaram US$ 1,3 bilhão em agosto de 2026, alta de 128,2% sobre o mesmo mês do ano anterior. No mesmo período, o déficit da conta de serviços chegou a US$ 5,3 bilhões.

Cada operação carrega ainda custos que nem sempre aparecem de forma clara. Pela regra geral, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) é de 3,5% nas remessas ao exterior e de 0,38% no ingresso de recursos, com hipóteses de alíquota zero e isenção conforme a natureza da operação. A Trepzy afirma que os meios tradicionais chegam a embutir até 6,5% de spread na conversão cambial, além de tarifas fixas elevadas por transação.

Uma rotina que nasceu dentro de casa

A plataforma surgiu de uma necessidade interna. Fernando Balbuena, CEO da Trepzy, é fundador da B2G Capital, empresa de software por assinatura que opera há três anos em mais de 60 países e cinco idiomas. No período, a B2G destinou mais de US$ 2,5 milhões a investimento em mídia global e despesas gerais de seus produtos e precisou montar uma infraestrutura financeira própria para receber, pagar e conciliar em várias moedas. Foi dessa estrutura que nasceu a Trepzy.

“Entendemos os problemas de uma gestão de recursos globais, porque não apenas viemos de um lugar onde enfrentávamos essas dificuldades, como ainda estamos lá, todos os dias”, afirma Fernando Balbuena, CEO da Trepzy e fundador da B2G Capital.

O que já está disponível

No lançamento, a conta oferece saldos em várias moedas e envios para mais de 90 países. O cliente pode abrir várias contas para separar os recursos por compromisso, projeto ou área, o que facilita acompanhar quanto está reservado para cada despesa. Também é possível fazer Pix a partir de saldo em dólar e, no sentido inverso, financiar via Pix transferências em dólar, euro, pesos e outras moedas, conforme a rota e a modalidade habilitada.

Categorias e orçamentos a caminho

Até o início de 2027, a empresa prevê cartões em dólar e em real para gestão de despesas, categorização de transações e orçamentos por departamento, além de aceitação de cartões em checkout transparente e meios de pagamento locais por país. A proposta inclui o uso intensivo de inteligência artificial para análise de dados e visão geral do negócio. A meta pública é chegar a US$ 150 milhões em pagamentos acumulados até o fim de 2027.

Como controlar despesas em dólar da empresa

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Na proposta da Trepzy, controlar as despesas em dólar da empresa passa por concentrar pagamentos e recebimentos em uma mesma conta global e separar os recursos por finalidade. Isso começa com as múltiplas contas disponíveis desde o lançamento e deve ganhar categorização de transações e orçamentos por departamento nas próximas etapas da plataforma.

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