Ter uma marca própria de cosméticos atrai empreendedores de vários perfis, mas a conta costuma ser maior do que parece. Para o empresário Renato Silva, que estruturou o programa Brand Labs na Tessora (www.tessora.com.br), o erro mais comum é tratar produto, preço e distribuição como decisões separadas.
Segundo Silva, a embalagem precisa caber na estrutura de custos, o preço tem que absorver as despesas e a remuneração dos canais de venda, e o portfólio deve atender ao público sem ultrapassar a capacidade financeira da marca de repor estoque. Se uma dessas peças não fecha, o negócio trava.
O investimento declarado não é o total
No Brand Labs, a fase de desenvolvimento parte de R$ 170 mil e a industrialização exige aportes adicionais de pelo menos R$ 100 mil, o que soma um investimento inicial a partir de R$ 270 mil. Esse valor, porém, não inclui divulgação, equipe, capital de giro nem os aportes posteriores para expansão, que precisam ser previstos separadamente.
O planejamento também deve contemplar recursos para conquistar clientes, formar estoques e financiar o crescimento. É aí que muitos projetos se complicam: a marca chega ao mercado sem fôlego para sustentar as vendas.
Metas não são garantia
Os cenários apresentados por Silva indicam que as marcas atendidas podem buscar faturamento acumulado de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões nos primeiros 24 meses e receita anual de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões no quinto ano. As próprias projeções, no entanto, dependem da demanda, do desempenho dos canais e dos investimentos necessários.
A meta de R$ 10 milhões por ano equivale a uma média próxima de R$ 833 mil por mês, valor que precisa ser convertido em volume de vendas, metas por canal e capacidade de abastecimento.
Atenção ao contrato de operação
Depois do lançamento, a Tessora pode conduzir a operação comercial, com royalties de 16% a 28% sobre o faturamento bruto, conforme escopo e contrato. O empreendedor precisa entender que esse percentual é remuneração contratual, e não lucro. A marca pertence ao cliente, que também arca com os investimentos em produção, operação e crescimento, separados dos royalties.
Por onde começar
No programa, o ponto de partida é a Jornada da Marca, orientada pelo método Equity First, que define público, nicho, posicionamento, proposta de valor e arquitetura de receitas antes de chegar a fórmulas e embalagens. A gestão se apoia na Orbora (www.orbora.com.br), plataforma por assinatura com CRM integrado ao WhatsApp e controle comercial, financeiro e industrial.
Checklist antes de criar a marca
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Antes de investir em uma marca própria de cosméticos, vale verificar se a embalagem cabe no custo, se o preço remunera os canais, se há dinheiro para reposição e se o orçamento prevê, além do desenvolvimento e da fabricação, marketing, equipe e capital de giro.
