Uma ferramenta construída para resolver um problema interno pode, em alguns casos, interessar a outras empresas do mesmo setor. É desse raciocínio que parte a Tektone, consultoria de tecnologia e negócios sob medida fundada em janeiro de 2026 por Pedro Silvestrini, de 24 anos. A empresa diagnostica gargalos, desenha soluções, desenvolve a tecnologia necessária e estrutura a estratégia comercial dos clientes.
Em projetos selecionados, o trabalho vai além do problema original. A solução criada para atender a uma empresa passa a ser avaliada como um possível produto digital, com potencial para ser vendido a outros negócios.
O caso de um empresário contábil mineiro
Um exemplo vem de Minas Gerais. O contato com um empresário do setor contábil começou pelo Instagram. No diagnóstico, Pedro identificou uma operação com capacidade comercial, mas com limitações para crescer.
A solução reuniu agentes de inteligência artificial, organização do relacionamento com clientes por meio de CRM e melhorias no posicionamento digital. Parte do que foi construído ganhou estrutura de SaaS, o software oferecido como serviço, e passou a ser comercializada para outros escritórios de contabilidade.
Como enfrentava aquela dificuldade na própria rotina, o empresário conhecia bem o problema de colegas do mesmo nicho. Ao resolvê-lo dentro de casa, passou a oferecer a solução por assinatura e criou uma nova fonte de receita recorrente para o negócio.
Um resultado ainda pouco comum
Converter tecnologia em faturamento novo continua sendo exceção entre as empresas brasileiras. A pesquisa Panorama Liderança 2026, da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) em parceria com a Humanizadas, ouviu 629 executivos. Apenas 3% disseram que a inteligência artificial já gerou novas receitas e vantagem competitiva, enquanto 84% ainda usam a tecnologia de forma pontual.
De onde vem o método
A Tektone surgiu de conversas com empresários de diferentes setores. Pedro passou a ouvir relatos de negócios que já tinham clientes e experiência de mercado, mas esbarravam na dificuldade de organizar processos, integrar ferramentas ou crescer sem sobrecarregar a equipe.
Antes disso, ele construiu uma trajetória que une gestão e vendas. Liderou a área de treinamento de uma operação da Amazon, onde o trabalho alcançou cerca de 5 mil profissionais, e depois uma equipe de 17 pessoas no Mercado Livre. Em seguida, montou negócios com infoprodutos e aplicativos que, segundo ele, somam R$ 14 milhões em faturamento acumulado.
“A Amazon me ensinou a liderar, gerir uma equipe e me comunicar melhor. Minha carreira estava avançando, mas eu sempre quis ter meu próprio negócio, ter mais liberdade sobre meu tempo e poder viajar pelo mundo enquanto trabalhava”, afirma.
Com os aplicativos, desenvolvidos ao lado de uma equipe de tecnologia e lançados em mercados internacionais, Pedro passou a priorizar produtos usados continuamente e receitas recorrentes. É essa visão que a consultoria leva aos clientes.
O caminho proposto pela Tektone
O ponto de partida é conhecer o negócio e resolver um gargalo que a própria empresa enfrenta. Com a solução funcionando, o passo seguinte é identificar se ela tem potencial para se tornar um ativo digital e ser oferecida a outros negócios do mesmo nicho, como aconteceu no caso mineiro.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Para transformar uma solução da empresa em produto digital, portanto, o caminho que Pedro propõe passa por resolver bem o problema dentro de casa, reconhecer que ele também afeta outras empresas do setor e estruturar a oferta em formato de assinatura. Mais informações estão no site da Tektone, e Pedro compartilha os bastidores dessa construção no Instagram, pelo perfil @pedrosilvestrinii.
