Um resultado abaixo do esperado em um teste neuropsicológico não basta, por si só, para sustentar um diagnóstico. A medida mostra como a pessoa se saiu em uma tarefa específica, em condições padronizadas, mas não diz por que isso aconteceu nem como aquele desempenho se relaciona com a rotina de quem foi avaliado. Para chegar a uma conclusão, o profissional precisa cruzar o escore com entrevistas, observação do comportamento, história do paciente e o contexto da queixa.

Essa distância entre aplicar um instrumento e conduzir uma avaliação orienta a Pós-graduação em Neuropsicologia da ABAEDU, instituto da Faculdade Península, oferecida em cooperação acadêmica com a PUC Goiás (Pontifícia Universidade Católica de Goiás).

O recorte que todo teste faz

Instrumentos neuropsicológicos ajudam a investigar memória, atenção, funções executivas e outros processos cognitivos. Para que essas funções possam ser medidas, a tarefa isola a habilidade e a observa em um ambiente controlado. É esse recorte que torna o resultado útil e, ao mesmo tempo, impede que ele seja lido fora do conjunto.

"O teste oferece uma medida obtida em uma situação muito controlada e simplifica aquela habilidade. Avaliar flexibilidade cognitiva em uma tarefa, por exemplo, é diferente de observar como essa flexibilidade aparece quando a pessoa precisa tomar decisões ou lidar com emoções durante um conflito. Por isso, o resultado precisa ser interpretado dentro de um conjunto maior de informações", afirma Andressa Antunes, psicóloga, mestre em Saúde da Criança e do Adolescente pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), ex-diretora da SBNp (Sociedade Brasileira de Neuropsicologia) e professora da pós-graduação em Neuropsicologia da ABAEDU.

O que precisa ser verificado antes de concluir

Diante de um escore baixo, o profissional tem algumas perguntas a responder. O que exatamente aquela medida avalia? Quais variáveis podem ter interferido no desempenho naquele dia? Os diferentes resultados apontam na mesma direção? E, sobretudo, o que apareceu na testagem conversa com as dificuldades que o próprio paciente relatou?

Sem essas respostas, o número fica solto. Por isso, segundo a especialista, a avaliação neuropsicológica depende de várias fontes de informação, e não apenas dos instrumentos.

“Estamos tentando compreender o produto do órgão mais complexo do ser humano. Por isso, uma boa avaliação não pode depender de uma única fonte de informação. É preciso buscar consistência entre relatos, observação do comportamento em diferentes contextos e instrumentos de avaliação”, explica Andressa.

Um campo que atende públicos diversos

O CFP (Conselho Federal de Psicologia) reconhece a Neuropsicologia como especialidade da Psicologia e descreve uma atuação que vai da avaliação à intervenção, com espaço para promoção da saúde, prevenção e reabilitação. O manual técnico lançado pelo Conselho em 2023 cita contextos clínico, hospitalar, escolar e jurídico.

Na prática, a especialidade aparece na investigação de alterações ligadas ao desenvolvimento, a condições neurológicas e ao envelhecimento. Também está presente em quadros do neurodesenvolvimento, como TEA (transtorno do espectro autista), TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) e transtornos de aprendizagem, nos quais compreender atenção, memória, funções executivas e linguagem faz parte do raciocínio clínico.

A formação por trás da interpretação

Saber aplicar e pontuar um instrumento é o ponto de partida de quem quer atuar na área. A interpretação, que relaciona o resultado à história e ao contexto do paciente, exige repertório teórico e experiência clínica. A pós da ABAEDU com a PUC Goiás reúne um corpo docente de mestres e doutores que atuam em clínica e pesquisa, vários deles com passagem, atual ou anterior, por cargos de direção na SBNp, como a própria Andressa Antunes.

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Um teste neuropsicológico, portanto, é uma das peças da avaliação. O diagnóstico só se sustenta quando esse resultado é lido junto com entrevistas, observação e a trajetória de quem está sendo avaliado. Mais informações sobre estrutura curricular e condições de ingresso estão na página da Pós-graduação em Neuropsicologia.

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