Quem pensa em abrir uma franquia costuma chegar à primeira conversa com uma de duas ideias: o receio de arriscar as economias ou a expectativa de um investimento que rende sozinho. Para Brian Drummond, membro do conselho da Mahogany, as duas visões precisam ser ajustadas antes de qualquer assinatura. “Tem gente que tem medo de investir numa franquia e tem gente que acha que franquia é uma poupança, que você paga uma vez e começa a receber. A franqueadora tem 50% da responsabilidade e o franqueado tem os outros 50%”, afirma.
A reflexão ganha contexto no momento em que a marca brasileira de perfumaria e cosméticos se prepara para inaugurar oito lojas nas próximas semanas: duas em Boa Vista (Roraima), uma em Ubatuba (São Paulo), uma em Brasília (Distrito Federal), uma em Floriano (Piauí), uma em Florianópolis (Santa Catarina), uma em Lavras (Minas Gerais) e uma no Rio de Janeiro (Rio de Janeiro). Fundada em 1991 por Jaime Drummond, a empresa completa 35 anos, deve encerrar o ano com 220 operações, está em cerca de 660 pontos multimarca e trabalha com quase 20 mil consultoras autônomas.
A parte que cabe à franqueadora
No modelo de franquia da Mahogany, a rede acompanha o franqueado desde antes da abertura. O suporte inclui seleção e negociação do ponto comercial, projeto arquitetônico, recrutamento e treinamento da equipe, gestão de estoque e ações de marketing. O formato Boutique, com 25 m² a 35 m², tem como destaque o portfólio e a exposição dos produtos em quatro plataformas conceituais, cada uma associada a uma jornada emocional e olfativa: Status, com fragrâncias ligadas a conquistas pessoais e profissionais; Sedução, com perfumes intensos e envolventes; Autenticidade, voltada à conexão com a própria essência; e Afeto, com notas delicadas que remetem a celebrações, pessoas e memórias.
A parte que cabe ao franqueado
Do outro lado, a unidade exige uma operação que vai além do balcão. “O modelo de loja que trabalhamos atualmente vai além da venda tradicional: somos uma plataforma de vendas”, diz Drummond. O formato pressupõe três frentes: o atendimento ao consumidor na loja, o apoio às consultoras de venda direta que levam os produtos às cidades vizinhas e a integração com o site, que atende todo o país. A loja pode ser ponto de retirada das compras online e enviar pedidos para endereços próximos.
Sinais que ajudam na avaliação
Para quem está pesquisando, alguns indicadores ajudam a medir a solidez de uma rede. Um deles é a presença de multifranqueados: na Mahogany, há franqueados que operam oito, nove e dez lojas da marca. Também existem franqueados com uma unidade, que iniciam agora no ramo de franquias. Outro é o peso da categoria principal. As fragrâncias respondem por mais da metade do negócio, em um portfólio de mais de 250 produtos, e o Brasil é o segundo maior mercado de fragrâncias do mundo, com crescimento de 10% em 2025, segundo a Euromonitor, em dados divulgados pela ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos).
O ambiente do setor também conta. A ABF (Associação Brasileira de Franchising) aponta que as franquias de Saúde, Beleza e Bem-Estar cresceram 15,2% no segundo trimestre de 2026, para R$ 21,1 bilhões, enquanto o franchising como um todo avançou 9,3% e faturou R$ 76,3 bilhões. Na venda direta, canal que se conecta à loja, a ABEVD (Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas) estima um volume de negócios de cerca de R$ 50 bilhões em 2025.
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Vale a pena, então? A resposta depende menos do setor e mais do alinhamento entre as partes. Pioneira na introdução do sabonete líquido no país e com atuação no luxo acessível para as classes B e C, a Mahogany aposta que o franqueado que entende sua metade da responsabilidade chega mais preparado para operar a loja em todas as frentes.
