As organizações perdem, em média, cerca de 5% da receita anual com fraudes cometidas dentro de casa. A estimativa consta do relatório Occupational Fraud 2024: A Report to the Nations, da ACFE (Association of Certified Fraud Examiners), que analisou mais de 1.900 casos em 138 países. O estudo também indica que a organização dos controles internos pesa no tamanho do prejuízo.

Esse diagnóstico é um dos pontos de partida do Compliance 360°: conectando integridade, tecnologia e pessoas, encontro realizado pela clickCompliance e pelo Kronoos no dia 21 de outubro, em São Paulo, para profissionais de compliance, riscos, jurídico e governança.

Mecanismos combinados reduzem perdas

Segundo o estudo da ACFE, as denúncias responderam pela descoberta de 43% das fraudes. A existência de canais de denúncia, de treinamento antifraude para gestores e de monitoramento proativo de dados esteve associada, em cada caso, a perdas cerca de 50% menores.

Cada mecanismo cumpre uma função. O canal identifica o problema, o treinamento atua sobre o comportamento, o monitoramento aponta padrões e a liderança converte essas informações em decisão. A exposição cresce quando essas frentes operam separadas e o que uma descobre não chega à outra.

Estrutura montada, gestão desconectada

Contar com as ferramentas não garante que elas funcionem em conjunto. A 6ª Pesquisa Maturidade do Compliance no Brasil, da KPMG, publicada em 2024 com 106 organizações, mostra que 92% das empresas mantêm canal de denúncias e 84% têm protocolo formal de investigação. Ao mesmo tempo, 56% não usam métricas de compliance na avaliação de desempenho, e só 25% aplicam metas de integridade a funcionários, executivos e terceiros simultaneamente.

“Quase todas as empresas têm canal de denúncias, mas mais da metade ainda não leva métricas de compliance para a avaliação de desempenho”, observa Marcelo Erthal, CEO da clickCompliance. “Isso mostra que a estrutura existe, mas não está conectada à gestão. E é nesse intervalo que a fraude encontra espaço.”

Sinais de alerta no dia a dia

A desconexão costuma aparecer em situações corriqueiras: treinamento tratado como obrigação anual, sem relação com os temas que chegam ao canal; denúncias apuradas uma a uma, sem que os padrões virem indicadores; avaliação de fornecedores guardada numa planilha.

Para Alexandre Pegoraro, CEO do Kronoos, a atenção aos terceiros precisa ser permanente. “Um fornecedor que não aparece em nenhuma lista restritiva hoje pode aparecer amanhã, e a relação com ele não termina no cadastro”, diz. “Due diligence feita uma vez e arquivada é uma fotografia; o risco de terceiros é um filme. Quando o monitoramento de sanções e o que chega pelo canal de denúncias olham para o mesmo terceiro, a empresa deixa de descobrir o problema pela imprensa e passa a agir antes.”

A programação do evento, com curadoria e mediação de Luciana Silveira, fundadora da GRC Fora da Caixa, partiu justamente dessas lacunas. “Quando montamos a programação, a pergunta não foi quais temas estão em alta, mas onde as áreas deixam de conversar”, conta. “É justamente nesses pontos de desconexão que surgem oportunidades para melhorar a gestão dos riscos.”

Como reduzir a exposição

O primeiro passo nem sempre envolve uma ferramenta nova. Assuntos recorrentes no canal podem orientar treinamentos, alertas sobre fornecedores podem ser cruzados com a due diligence e indicadores de integridade podem chegar à diretoria com a mesma frequência de outros números do negócio.

“Tecnologia não substitui cultura, mas permite enxergar o todo”, afirma Erthal. “Quando dados de treinamento, denúncias e due diligence de terceiros estão no mesmo lugar, o gestor deixa de reagir a casos isolados e passa a identificar padrões. É isso que transforma compliance de custo em ferramenta de decisão.”

Para a empresa que quer conter o prejuízo com fraude interna, o caminho indicado pelos dados é combinar canal, treinamento e monitoramento e garantir que as informações de cada frente cheguem às demais e à liderança.

Serviço: Compliance 360°: conectando integridade, tecnologia e pessoas

Quando: 21 de outubro de 2026, das 8h às 18h

Onde: Salas Brasil - Espaço Paulista, São Paulo

Realização: clickCompliance e Kronoos, com curadoria da GRC Fora da Caixa

Ingresso solidário: R$ 99,90, com renda revertida para instituição beneficente

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Inscrições: https://www.eventocompliance360.com.br/

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