Enquanto boa parte das discussões sobre adolescência passa pelo tempo diante das telas e pelas relações construídas nas redes sociais, um grupo de jovens no Rio Grande do Sul vem experimentando outra forma de ocupar esses mesmos espaços de convivência: visitando pacientes, mobilizando pessoas, marcas e eventos em torno do trabalho voluntário.

Criada em 1985, a Liga Jovem integra a Liga Feminina de Combate ao Câncer no Rio Grande do Sul e reúne jovens envolvidas em atividades voltadas à assistência e à arrecadação de recursos para a entidade.

Uma das portas de entrada é o Programa de Voluntariado Glamours, voltado a meninas entre 14 e 18 anos. Durante o ano, as participantes recebem capacitações, conhecem o trabalho desenvolvido pela instituição e participam da criação e organização de projetos sociais com fins arrecadatórios.

A proposta é colocar as próprias adolescentes no processo.

Elas participam da busca por parceiros, ajudam a mobilizar convidados, desenvolvem ações de arrecadação e têm contato com a rotina dos projetos mantidos pela entidade.

Em iniciativas como o Drive-thru Solidário e a Campanha de Arrecadação de Fraldas, as jovens participam desde o planejamento e a captação de recursos até a realização das ações.

É dentro desse movimento que está Sofia Furlan Teixeira.

Aos 15 anos, ela integra o grupo de voluntárias do programa em 2026 e vem se envolvendo em diferentes iniciativas ao longo do ano.

Uma delas é o LigaCap, projeto criado por Sofia e Ana Clara Keffer a partir da venda de uma coleção de bonés desenvolvida especialmente para a iniciativa. A campanha ocorreu entre maio e setembro e buscou aproximar principalmente o público jovem de uma ação social por meio de um elemento presente em seu cotidiano.

Os bonés foram viabilizados com o apoio de empresas parceiras, e o valor integral arrecadado com as vendas foi destinado à Liga Feminina de Combate ao Câncer no Rio Grande do Sul. Ao final da campanha, o LigaCap alcançou cerca de R$ 40 mil em arrecadação.

A iniciativa acrescenta uma dimensão diferente ao trabalho voluntário desenvolvido pelas adolescentes. Além de participar de ações já existentes, elas também passam a criar projetos, recebem capacitação e mentoria, buscam parceiros e encontram formas de mobilizar pessoas a partir de linguagens próximas de sua própria geração.

Entre as ações mais recentes, esteve uma mobilização realizada no espaço da Vanilla, em Porto Alegre, com desfile dos modelos do LigaCap e o lançamento de uma edição exclusiva criada para o evento.

A participação ao longo de 2026 incluiu ainda outros eventos ligados à entidade, como o Desfile Liga Solidária, realizado com a participação de estilistas gaúchos, e a Feijoada Beneficente da Liga/RS, voltada à arrecadação de recursos para os programas mantidos pela instituição.

No dia 3 de outubro, essa trajetória ganhou um de seus resultados mais expressivos.

Um almoço beneficente realizado na Fazenda Pontal, no bairro Costa das Marinas, em Maquiné, reuniu convidados em torno da causa e arrecadou R$ 100 mil para a Liga Feminina de Combate ao Câncer no Rio Grande do Sul.

Produtos, serviços e a estrutura necessária para a realização do encontro foram viabilizados por empresas parceiras. Com isso, o valor integral arrecadado no almoço foi destinado à instituição.

O resultado ajuda a dimensionar o alcance que iniciativas conduzidas dentro do programa podem atingir. Mais do que uma ação pontual, o encontro mostrou como a articulação entre jovens, famílias, empresas e parceiros pode se converter diretamente em recursos para o trabalho de prevenção e assistência.

Somados, projetos como o LigaCap e ações como o almoço realizado em Maquiné também revelam diferentes caminhos para chegar ao mesmo objetivo. De um lado, um produto pensado para dialogar com os jovens. De outro, um evento capaz de reunir uma rede de apoiadores em torno da causa.

Dentro do conjunto de atividades desenvolvidas ao longo do ano, essas experiências ajudam a mostrar uma proposta maior: apresentar o voluntariado a adolescentes não apenas como participação em campanhas, mas como uma atividade que envolve organização, criatividade, relacionamento, mobilização e responsabilidade.

O destino dos recursos ajuda a dimensionar a importância desse trabalho.

A Liga Feminina de Combate ao Câncer no Rio Grande do Sul atua em duas grandes frentes: prevenção e assistência.

Na área de prevenção, a entidade mantém um ambulatório gratuito e aberto à comunidade, com exames preventivos para câncer do colo do útero, câncer de mama e câncer de pele.

Na frente assistencial, o trabalho é voltado a pacientes oncológicos carentes internados no Complexo Santa Casa de Porto Alegre. Entre os auxílios oferecidos estão fraldas, medicamentos, dieta enteral, ranchos, passagens para a realização do tratamento, itens de higiene pessoal, próteses mamárias externas, lenços e perucas, além de enxoval no momento da alta hospitalar.

A atuação alcança pacientes e famílias atendidos pelo Hospital Santa Rita, Hospital Santa Clara e Hospital da Criança Santo Antônio, em Porto Alegre.

A experiência de Sofia é uma entre as histórias construídas dentro desse programa, mas ajuda a ilustrar uma ideia que está no centro da Liga Jovem: o contato com o voluntariado pode começar cedo.

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Para uma geração acostumada a criar conexões, organizar grupos e mobilizar pessoas pelas redes, essas mesmas ferramentas passam a ganhar outra dimensão quando são colocadas a serviço de uma causa.

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