O Brasil emitiu 1.070.325 certificados digitais em junho de 2026, segundo dados do ITI (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação). O volume é 11,1% maior que o de junho de 2025, quando foram emitidos 963.097 certificados. Somados, os certificados ativos no país já chegam a quase 17 milhões.
O número ajuda a medir uma mudança que vai além da tecnologia. Para a Alvo Certificado Digital, Autoridade de Registro credenciada à ICP-Brasil (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira) desde 2018, o certificado deixou de ser um documento de uso eventual. “O certificado virou parte da operação da empresa. Quando ele vence, a nota não sai e o caixa para”, afirma João Paulo Rodrigues Macedo, CEO da empresa.
O que sustenta a demanda
A explicação está na rotina fiscal. A emissão de nota fiscal eletrônica, a transmissão do eSocial, a entrega das obrigações do SPED (Sistema Público de Escrituração Digital) e o acesso ao processo judicial eletrônico usam a assinatura qualificada da ICP-Brasil. Cada obrigação que migra para o meio eletrônico amplia o número de empresas que mantêm um certificado em uso.
A transição da reforma tributária, iniciada em 2026, reforça esse movimento. Com mais etapas da rotina fiscal passando por sistemas eletrônicos, as empresas ficam ainda mais dependentes deles, e o certificado passa a ocupar o lugar de insumo crítico da operação.
A comparação com o mesmo mês do ano anterior é a forma mais usada para medir esse ritmo, porque elimina diferenças de calendário entre meses distintos. Por esse critério, a emissão de certificados cresceu mais de 11% em doze meses, em um mês que superou a marca de 1 milhão de unidades.
Volume também do lado de quem valida
Para entender quem está por trás desses números, vale olhar a cadeia de emissão. Na ICP-Brasil, a AC (Autoridade Certificadora) emite e assina o certificado, enquanto a AR (Autoridade de Registro) valida a identidade do titular e faz o atendimento. Na emissão por validação, a identidade é confirmada por uma AR vinculada a uma AC credenciada.
A Alvo, vinculada às Autoridades Certificadoras Serpro e SyngularID, já emitiu mais de 500 mil certificados e hoje faz mais de 7 mil emissões por mês. No caso das empresas, um dos modelos oferecidos é o e-CNPJ A1 de 12 meses, vendido por R$ 149,90.
Na Alvo, a validação é feita por videoconferência, na plataforma da Autoridade Certificadora. O titular passa por prova de vida, apresenta o documento original físico e tem a biometria conferida nas bases oficiais, como determina a Instrução Normativa ITI nº 36/2026. O processo leva cerca de 10 minutos. Para quem não tem CNH, a emissão também é possível, desde que haja biometria registrada na ICP-Brasil ou em outra base oficial, como a do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Parte relevante das vendas chega por contadores parceiros, que acompanham o calendário fiscal das empresas e costumam identificar o vencimento antes do próprio cliente. “O contador percebe o problema antes do cliente. Nosso papel é dar a ele uma emissão rápida e confiável”, diz Macedo.
Um sistema ainda em evolução
O regulador sinaliza que a infraestrutura vai continuar mudando. Em junho de 2026, o ITI publicou a Portaria nº 38/2026, que instituiu um grupo de trabalho técnico sobre criptografia pós-quântica no âmbito da ICP-Brasil.
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Para as empresas, a leitura dos números é direta. Mais de 1 milhão de certificados emitidos em um único mês mostra que a assinatura digital já faz parte da operação de boa parte do mercado. Quanto mais obrigações passam a usá-la, mais certificados entram em circulação e maior é o custo de deixar um deles vencer sem perceber.
