A obesidade infantil precisa ser tratada como uma questão de saúde, e não apenas como uma preocupação relacionada à aparência. Para a médica nutróloga Dra. Wanessa Moya, esperar que a criança cresça ou passe pelo chamado estirão pode significar perder uma oportunidade de intervenção. A criança não precisa apresentar diabetes ou outra complicação para receber acompanhamento e cuidado.
Uma das crenças ainda presentes entre famílias é a de que a criança com excesso de peso necessariamente vai emagrecer conforme crescer. Embora o desenvolvimento possa modificar a relação entre peso e altura, isso não significa que a obesidade desaparecerá espontaneamente. Crianças com obesidade podem permanecer com a condição durante a adolescência e também na vida adulta, o que reforça a importância de uma avaliação individualizada desde a infância.
As consequências podem surgir ainda nos primeiros anos. Alterações da glicemia, pressão arterial elevada, colesterol alterado, gordura no fígado, apneia do sono e sobrecarga das articulações estão entre os problemas associados à obesidade infantil. A condição também pode interferir na disposição, na participação em atividades físicas e na saúde emocional da criança.
O desenvolvimento hormonal é outro aspecto que merece atenção. O excesso de gordura corporal está associado à antecipação da puberdade, especialmente entre meninas. Por isso, o acompanhamento não deve considerar apenas o peso, mas também o crescimento, a velocidade de desenvolvimento e os sinais de maturação sexual. Quando há suspeita de puberdade precoce, a investigação médica continua sendo necessária.
Nos meninos, o acúmulo de gordura na região acima do púbis pode esconder parte do pênis e criar a impressão de que ele é menor. A avaliação médica é importante porque pênis embutido e micropênis verdadeiro são situações diferentes e não devem ser confundidas.
A preocupação também ultrapassa a infância. A persistência da obesidade ao longo da vida está associada a maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. Entre as neoplasias relacionadas ao excesso de gordura corporal estão as de endométrio, rim, fígado, intestino e mama após a menopausa. Isso não significa que uma criança com obesidade desenvolverá câncer, mas reforça a importância de reduzir fatores de risco ao longo da vida.
Para a Dra. Wanessa Moya, o tratamento precisa envolver toda a família. Alimentação, sono, atividade física, rotina, comportamento alimentar, tempo de tela, ambiente doméstico e saúde emocional fazem parte da avaliação. Não é suficiente responsabilizar a criança por uma mudança enquanto o ambiente ao redor permanece igual.
Quando mudanças de hábitos não são suficientes ou a gravidade da doença exige uma intervenção adicional, o tratamento medicamentoso pode ser considerado. Medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 podem fazer parte de uma estratégia individualizada, sempre com indicação e acompanhamento médico. Precisar de medicação não representa falta de esforço da criança ou fracasso dos pais.
A médica defende uma abordagem sem culpa ou estigmatização. O objetivo não é colocar a criança em uma busca por um corpo ideal, mas favorecer saúde, disposição, qualidade de vida e uma relação respeitosa com o próprio corpo.
Formada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Jundiaí, em 2023, Wanessa Moya Serrão é inscrita no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo sob o CRM-SP 250.661. Possui pós-graduação em Nutrologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein e formação complementar voltada à avaliação clínica, composição corporal, saúde metabólica e qualidade de vida.
Atualmente, sua atuação inclui tratamento médico da obesidade em adultos, crianças e adolescentes, saúde feminina, composição corporal, hipertrofia, definição muscular, nutrologia aplicada ao exercício e performance esportiva. Na obesidade infantil, o cuidado considera crescimento, hábitos alimentares, sono, atividade física, tempo de tela, contexto emocional, ambiente familiar e possíveis complicações metabólicas.
A Dra. Wanessa também iniciou uma nova frente de atuação na academia Bodytech, em Campinas. Além disso, realiza acompanhamento on-line para pacientes de outras regiões do Brasil e do exterior.
Para a médica, o tratamento deve ultrapassar a busca por uma perda de peso temporária. A proposta é compreender os fatores envolvidos, identificar complicações e construir estratégias sustentáveis para melhorar a saúde ao longo da vida.
Dra. Wanessa Moya Serrão CRM-SP 250.661
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