Por muito tempo, adotar um sistema de gestão parecia coisa de rede grande, com equipe técnica e orçamento para treinamento. Esse quadro mudou. As plataformas voltadas a salões, barbearias, clínicas de estética, estúdios e spas ficaram mais simples de usar e mais baratas, e a barreira tecnológica que afastava o pequeno empreendedor perdeu força. A avaliação é da Belasis, empresa especializada em soluções de gestão para o setor de beleza, que vê nesse movimento um dos motores da profissionalização do mercado.
O que mudou nas ferramentas de gestão para salões?
Para quem toca um negócio pequeno, digitalizar a operação costumava esbarrar em dois obstáculos: o receio de não dar conta de um sistema complicado e o custo de implantação. Com ferramentas mais intuitivas e acessíveis, esses entraves pesam menos na decisão, que passa a depender sobretudo da disposição do dono em mudar a rotina administrativa.
O movimento interessa principalmente aos estabelecimentos menores, em que o próprio dono atende, recebe o pagamento e marca os horários. Para esse perfil, uma ferramenta fácil de configurar e de manter no dia a dia faz diferença maior do que um sistema robusto, mas difícil de operar sem ajuda.
Como a maioria dos negócios de beleza ainda se organiza?
Na prática, boa parte dos estabelecimentos mantém a administração em formato quase artesanal. A agenda é anotada à mão, o caixa é controlado de maneira informal e o cadastro de clientes fica disperso em conversas de WhatsApp. Levantamento do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) indica que cerca de 70% dos pequenos negócios do setor funcionam sem sistema de gestão estruturado.
Esse modelo atrapalha decisões corriqueiras, como identificar o serviço que traz mais retorno ou perceber em que horários a agenda costuma sobrar. Sem informação organizada, o crescimento do negócio tende a ficar travado.
Por que o momento favorece a adoção de um sistema?
Além do acesso facilitado à tecnologia, a disputa por clientes ficou mais intensa. O número de salões registrados cresceu 12% nos últimos três anos, segundo a Receita Federal. O mercado tem porte para sustentar a mudança: o Brasil é o quarto maior mercado de beleza do mundo, de acordo com a Mintel, com faturamento anual acima de US$ 37,4 bilhões, conforme dados de 2024 da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos).
Mesmo assim, a profissionalização da gestão avançou mais devagar no setor do que em serviços como restaurantes e clínicas médicas, nos quais agendamento digital e controle financeiro já fazem parte do dia a dia.
“A profissionalização da gestão transcende a substituição de ferramentas analógicas por digitais. Trata-se de destravar o potencial de negócios que, embora já rentáveis, podem alcançar patamares de crescimento ainda maiores”, avalia a Belasis.
O que o dono de salão ganha ao adotar um sistema?
Segundo a Belasis, estabelecimentos que já trabalham com agendamento online, lembrete automático e programa de fidelização conseguem atrair e reter clientes melhor do que a concorrência. A tendência apontada pela empresa é que a gestão profissionalizada deixe de ser diferencial e se torne condição mínima para permanecer num mercado mais disputado.
Recursos como o agendamento online e o lembrete automático atuam sobre duas frentes da rotina administrativa que ainda dependem do improviso: a marcação de horários, muitas vezes anotada à mão, e o contato com o cliente, hoje disperso em conversas de aplicativo.
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Para o pequeno empreendedor que ainda hesita, a principal mudança está no acesso. Com sistemas mais simples e baratos, a ferramenta deixou de ser o grande obstáculo, e o próximo passo é tirar agenda, caixa e cadastro de clientes do caderno.
