Crescer no mercado imobiliário tem um custo que raramente aparece na planta. Quanto mais obras em andamento, mais pesam o controle financeiro, os cronogramas, a gestão dos fornecedores e a capacidade de antecipar problemas. Na D1 Empreendimentos, incorporadora com sede em Capão da Canoa e atuação também em Xangri-Lá e Maquiné, esse momento chegou com um portfólio que inclui projetos como Mônaco Grand Marina, Occhi Marina Club, Gaia Atlântida Residences e Doha By Porsche Consulting.
Para atravessar essa fase, a empresa foi buscar referência fora da construção civil. Trouxe a Porsche Consulting, consultoria estratégica ligada à montadora alemã, com atuação em eficiência operacional, organização, gestão de custos, criação de valor e estratégias para novos mercados.
Método de indústria aplicado à obra
O trabalho começou por adaptar à realidade dos canteiros métodos desenvolvidos em ambientes industriais de alta complexidade. Planejamento, controle de etapas, acompanhamento de prazos e gestão de qualidade passaram a seguir uma mesma lógica em todos os empreendimentos.
Dentro da empresa, a mudança foi além das obras. A D1 organizou processos, definiu responsabilidades, estabeleceu indicadores e ganhou previsibilidade nas decisões. A ideia foi montar uma estrutura capaz de administrar mais obras ao mesmo tempo, projetos mais complexos e novas fontes de financiamento.
"A parceria nos permite elevar ainda mais os padrões de entrega", afirma Duani Teixeira, CEO da D1.
O Doha como vitrine
Foi no Doha By Porsche Consulting que a parceria ganhou nome e endereço. O residencial de alto padrão, em Capão da Canoa, de frente para a praia de Atlântida, foi concebido desde o início com planejamento e gestão de construção acompanhados pela consultoria. Para o comprador, a presença da Porsche Consulting no nome do projeto traduz algo que costuma ser invisível no mercado: o cuidado com a forma como a obra é conduzida, do cronograma à entrega.
O que começou no Doha se espalhou pela operação. A mesma metodologia hoje orienta o planejamento e a gestão dos demais empreendimentos da incorporadora.
Da organização ao mercado de capitais
A estrutura construída nesse processo também abriu portas. Com processos mais organizados, informações de qualidade e acompanhamento rigoroso, a D1 estreou recentemente no mercado de capitais com uma operação de CRI estruturada pela Monte Bravo, destinada às obras do Occhi Marina Club. Para uma empresa regional, significa passar a contar com instrumentos de financiamento além do capital próprio, das vendas e das linhas bancárias tradicionais.
O próximo passo já está em curso. A incorporadora mantém negociações avançadas por áreas fora do Rio Grande do Sul, movimento em que a nova estrutura de gestão deve ser determinante.
O que o caso ensina
Para quem empreende, a trajetória da D1 deixa algumas lições. A primeira é de timing: a empresa buscou método enquanto a escala crescia, antes que a complexidade virasse problema. A segunda é olhar para fora do próprio setor, já que a construção civil tem muito a aprender com indústrias acostumadas a prazos apertados e margens controladas. A terceira é que uma parceria desse tipo rende mais quando deixa de ser um projeto isolado e passa a fazer parte da forma como a empresa trabalha.
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No caso da D1, o que começou em um empreendimento virou a base para o próximo ciclo da companhia, no litoral gaúcho e além dele.
