Quem avalia comprar um imóvel de alto padrão na Flórida costuma chegar à negociação com localização, liquidez e câmbio bem calculados. Três linhas raramente aparecem na planilha antes da oferta: quanto vão custar o projeto e a obra, em quanto tempo eles ficam prontos e qual será o destino do imóvel no futuro.
A orientação é da arquiteta e designer de interiores Andria Tagliari, brasileira radicada nos Estados Unidos, com mais de duas décadas de experiência em projetos residenciais de alto padrão e mais de 80 mil pés quadrados sob gestão em projetos residenciais e comerciais na Flórida. “O comprador brasileiro chega com a planilha do imóvel pronta e sem nenhuma linha para o projeto. No alto padrão da Flórida, o projeto não é a decoração do investimento. É parte do ativo”, afirma.
Primeira conta: quanto reservar para projeto e obra?
A recomendação é prever um orçamento de projeto e obra proporcional ao valor do imóvel. Nesse segmento, segundo a arquiteta, o comprador paga por uma residência pronta para ser vivida, e a coerência entre as partes define o preço. “O comprador de uma casa de US$ 5 milhões não está comprando metros quadrados. Está comprando uma casa resolvida. Um projeto incoerente derruba o valor do imóvel; um projeto que integra arquitetura, interiores e execução é o que sustenta o prêmio na revenda”, diz.
Tagliari lista falhas que encarecem essa conta. “Os três erros se repetem: importar o programa da casa brasileira para um mercado que valoriza cozinhas abertas e áreas externas integradas, construir acima do teto da rua e fazer o projeto em etapas depois da compra, pagando duas vezes pela mesma obra”, afirma.
Segunda conta: qual é o prazo real da obra?
O cronograma precisa considerar licenças e prazo de execução na Flórida. A escala do imóvel também pesa. Andria Tagliari conduz atualmente a transformação de uma residência em Isleworth, com obra prevista de janeiro de 2026 a março de 2027, que leva a casa de cerca de 30 mil para 35 mil pés quadrados e envolve aproximadamente 40 profissionais entre arquitetura, engenharia, execução e fornecedores. Em programas desse tamanho, uma decisão de layout ou de material se repete por toda a casa e chega multiplicada ao valor final.
Terceira conta: o que fazer com o imóvel depois?
A tese de saída, seja revenda, seja locação de temporada, deve orientar as escolhas do projeto desde o início. Ela influencia acabamentos, distribuição dos ambientes e o perfil de comprador ou hóspede que o imóvel vai atrair.
Esse planejamento também ajuda a dimensionar os custos de manter a casa. Em setembro de 2025, imóveis de US$ 3 milhões a US$ 6,8 milhões em Windermere, na região de Orlando, levaram de 50 a 141 dias para serem vendidos. Nesse intervalo, o proprietário segue pagando taxa de condomínio, imposto predial, seguro e manutenção. Um projeto alinhado ao perfil de comprador da região pode ampliar a atratividade do imóvel.
Por que fazer as contas antes da oferta?
O volume de dinheiro brasileiro no estado torna a orientação mais relevante. Compradores do Brasil movimentaram US$ 762 milhões em imóveis residenciais na Flórida entre agosto de 2024 e julho de 2025, segundo levantamento anual da Florida Realtors, o que mantém o país entre os três maiores de origem.
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“O projeto entra na conta antes da escritura, não depois. Quem faz essa conta cedo compra melhor, gasta menos e vende mais rápido”, conclui Tagliari. Para quem pretende comprar na Flórida, a orientação prática é levar orçamento, cronograma e tese de saída prontos para a mesa de negociação.
