Comprar lote na planta é, essencialmente, comprar uma promessa. O folder mostra clube, portaria e paisagismo; o contrato mostra prazos; e a experiência de décadas de loteamentos de lago no Brasil mostra que uma parte dessas promessas nunca sai da maquete. A proteção do comprador começa numa visita que muita gente pula: a do canteiro.

A primeira verificação é a ordem da obra. Infraestrutura pesada, como terraplanagem, abertura de vias, drenagem e redes de energia e água, precisa vir antes da ocupação; quando fica para depois das vendas, disputa orçamento com a fase seguinte do negócio. Há empreendimentos que fazem dessa ordem o próprio argumento: na Fazenda do Lago, projeto do Grupo CPR às margens do Lago Corumbá IV, no cerrado goiano, a obra dos 3 milhões de metros quadrados começou pela infraestrutura básica, com os amenities erguidos em sincronia.

“Não dá para pedir que alguém organize a vida em volta de um clube que ainda é desenho. Por isso construímos primeiro. Quem chega aqui não precisa acreditar na gente: basta olhar em volta”, afirma Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR.

A segunda verificação é a compatibilidade entre discurso e chão: o que o material de venda promete deve ter correspondência física ou cronograma crível. Redes subterrâneas de energia, por exemplo, só são viáveis antes das casas subirem; se prometidas num loteamento já ocupado, a conta não fecha.

A terceira é a pergunta que quase ninguém faz ao corretor: quem paga a infraestrutura se as vendas atrasarem? Empreendimentos que imobilizam capital em obra antes da receita assumem esse risco; os que dependem da venda para construir transferem o risco ao comprador, ainda que o contrato não diga isso com essas palavras.

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A régua final é simples de aplicar: promessa se lê no folder, compromisso se vê no canteiro. Entre dois lotes parecidos, o que tem obra em curso vale a diferença de preço, porque embute o único cronograma que não depende de confiança.

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