Se a sua imagem de comissário de bordo é a do profissional que serve o café na poltrona 14C, falta a metade da história, e é justamente a metade que explica a profissão. Antes de embarcar pela primeira vez, todo comissário formado passou por treinamento de sobrevivência: selva, mar e fogo, literalmente.
A razão é regulatória. O comissário existe, na estrutura da aviação civil, como profissional de segurança de voo: é ele quem conduz evacuações, presta primeiros socorros e gerencia emergências na cabine. A formação de comissário inclui, por isso, práticas de emergência, e não como formalidade de apostila, mas como exercício físico e real.
No CEAB, escola de aviação com 27 anos de mercado, essas práticas acontecem em um único dia no centro de treinamento próprio: técnicas de sobrevivência em mata fechada, comportamento na água com os equipamentos da aeronave, extinção de princípios de incêndio, com instrutores vindos do mercado aéreo, além do módulo de primeiros socorros que atravessa a formação.
"O passageiro conhece o comissário do serviço de bordo. A companhia aérea contrata o comissário da emergência. Nossa formação existe para esse segundo profissional, o primeiro é consequência", diz Salmeron Cardoso, diretor e CEO do CEAB.
? Vídeo: treinamento prático de sobrevivência na selva do CEAB — https://youtu.be/-4cdQ90vaSw
O dado tranquilizador para quem voa: a aviação segue sendo o modo de transporte mais seguro que existe, e parte dessa estatística é construída por esse treinamento que o passageiro nunca presencia. Cada tripulante do seu próximo voo já atravessou a selva antes de atravessar o finger.
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E para quem olha a profissão como carreira, o momento soma a favor: a LATAM projetou quase mil vagas de comissário para 2026, a Gol mantém cadastro aberto até dezembro e a Emirates recruta no Brasil em outubro, com o setor discutindo falta de tripulantes. A porta está aberta; o caminho até ela passa pela mata.
