Três avaliações diferentes, metodologias distintas e uma conclusão semelhante: os estudantes do Paraná aparecem entre os de melhor desempenho da educação brasileira. Em 2025, o Estado alcançou os maiores resultados de sua série histórica no Ideb, avançou no Saeb e ficou em primeiro lugar no Brasil nas quatro competências avaliadas pelo PISA.

Os indicadores medem dimensões diferentes: o Saeb avalia a aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática; o Ideb combina desempenho e fluxo escolar; e o PISA, coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), verifica a capacidade de jovens de 15 anos de aplicar conhecimentos.

Desempenho no PISA: Paraná vs. Brasil

Ciências: Paraná (461,6) | Brasil (408,5) | Vantagem PR-Brasil (+53,1) | 2º colocado: SP (442,6)

Leitura: Paraná (458,0) | Brasil (408,0) | Vantagem PR-Brasil (+50,0) | 2º colocado: SP (433,7)

Matemática: Paraná (423,1) | Brasil (376,8) | Vantagem PR-Brasil (+46,3) | 2º colocado: SP (403,8)

Resolução computacional: Paraná (467,4) | Brasil (405,5) | Vantagem PR-Brasil (+61,9) | 2º colocado: SP (446,0)

Paraná supera médias dos líderes latino-americanos

O desempenho ganha uma dimensão internacional quando colocado na mesma escala dos países participantes do PISA. Nas quatro áreas avaliadas, a média paranaense ficou numericamente acima do melhor resultado registrado entre os países latino-americanos.

Ciências: Paraná (461,6) | Melhor resultado latino-americano: Uruguai (445) | Diferença: +16,6

Matemática: Paraná (423,1) | Melhor resultado latino-americano: Uruguai (405) | Diferença: +18,1

Leitura: Paraná (458,0) | Melhor resultado latino-americano: Chile (436) | Diferença: +22,0

Resolução computacional: Paraná (467,4) | Melhor resultado latino-americano: Chile (466) | Diferença: +1,4

Para o diretor da APG.Gov e especialista em educação, Frederico Melo, o resultado ajuda a dimensionar a mudança de referência do Estado. "Se o Paraná fosse considerado um sistema educacional independente na escala do PISA 2025, teria o melhor desempenho da América Latina nas quatro áreas avaliadas. O resultado mostra que o Estado começa a precisar de referências internacionais para continuar avançando", afirma.

Ideb e Saeb confirmam avanço

Segundo o Inep, o Paraná alcançou, em 2025, os melhores resultados de sua série histórica do Ideb, iniciada em 2005: 6,9 nos anos iniciais do Ensino Fundamental, 5,8 nos anos finais e 5,1 no Ensino Médio, considerando a rede pública.

O Saeb mostra que a melhora não ocorreu apenas no fluxo escolar. Houve avanço da proficiência em Língua Portuguesa e Matemática nas três etapas avaliadas. "Isso impede que a evolução do Ideb seja interpretada apenas como consequência de mais aprovações ou de menos repetência. Houve avanço mensurável na aprendizagem", afirma Melo.

Evolução da proficiência no Saeb (2023-2025)

5º ano do Ensino Fundamental:

Língua Portuguesa: 229,75 em 2023 para 235,17 em 2025 (avanço de +5,42)

Matemática: 243,96 em 2023 para 253,12 em 2025 (avanço de +9,16)

9º ano do Ensino Fundamental:

Língua Portuguesa: 268,10 em 2023 para 276,07 em 2025 (avanço de +7,97)

Matemática: 269,26 em 2023 para 280,41 em 2025 (avanço de +11,15)

3º ano do Ensino Médio:

Língua Portuguesa: 288,80 em 2023 para 297,74 em 2025 (avanço de +8,94)

Matemática: 283,89 em 2023 para 295,02 em 2025 (avanço de +11,13)

Mais alunos na escola e mais aulas acontecendo

Dados da PNAD Contínua Educação 2025, do IBGE, mostram que o Paraná alcançou a maior taxa ajustada de frequência escolar líquida do País no Ensino Médio: 86,6%, ante 80,6% da média brasileira. Em 2024, o indicador era de 78,7%.

A presença do estudante precisa ser acompanhada pela continuidade das aulas. Nas 82 escolas que participavam do Programa Parceiro da Escola em 2025, dados da Seed apontam aumento médio de 2,6% na frequência, equivalente a cerca de 1,4 mil estudantes adicionais frequentando regularmente as aulas, além da eliminação das aulas vagas. "A lógica é direta: nenhuma política pedagógica funciona se o estudante não estiver na escola ou se a aula não acontecer", afirma Melo. Atualmente, o programa atende 95 escolas.

Avaliar para intervir

Enquanto o Saeb é aplicado a cada dois anos, avaliações diagnósticas como a Prova Paraná permitem identificar dificuldades durante o próprio processo de aprendizagem. A lógica é transformar a avaliação em um ciclo: medir, identificar a dificuldade, intervir e medir novamente. "Os resultados não substituem o Saeb ou o PISA, mas permitem reagir antes que as dificuldades se consolidem", explica Melo.

O paradoxo das telas: menos distração e mais tecnologia educacional

O PISA 2025 também chama atenção para a relação entre tecnologia e atenção. No Brasil, 25% dos estudantes relataram distração frequente dos colegas com dispositivos digitais nas aulas de Ciências. Esses estudantes tiveram desempenho 19 pontos inferior, mesmo considerando fatores socioeconômicos.

O Paraná restringiu o uso pessoal de celulares nas aulas, mantendo o uso pedagógico sob orientação do professor. Ao mesmo tempo, obteve 467,4 pontos em resolução de problemas com ferramentas computacionais, ante 405,5 do Brasil, sua maior vantagem sobre a média nacional nas quatro áreas do PISA.

"O desafio não é escolher entre uma escola com ou sem tecnologia, mas usar a tecnologia para aprender sem permitir que ela concorra com a atenção do estudante", afirma Melo.

Uma tendência que vai além de um ranking

De acordo com o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, não há uma única política capaz de explicar os resultados. "O que chama atenção no Paraná é que indicadores distintos (aprendizagem, fluxo, presença e competências internacionais) passaram a avançar simultaneamente", afirma.

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Melo considera que a convergência é mais significativa do que qualquer ranking isolado. "Quando instrumentos tão diferentes colocam um mesmo estado no topo, o resultado deixa de ser apenas uma fotografia de uma prova e passa a indicar uma tendência. O desafio agora é manter essa trajetória e aproximar cada vez mais o Paraná das referências internacionais de melhor desempenho", conclui.

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