A busca por mudanças estéticas que preservem a identidade e as características individuais tem influenciado a forma como muitos pacientes chegam aos consultórios de cirurgia plástica. Mais do que uma transformação evidente, parte deles procura resultados capazes de promover equilíbrio corporal sem produzir uma aparência excessivamente marcada pela intervenção.
Para o cirurgião plástico Marcelo Alonso, essa percepção ocupa um lugar central em sua forma de conduzir os procedimentos.
"Eu acho que o que me fez ganhar a confiança dos pacientes foi, principalmente, essa questão de conseguir trazer naturalidade. Elas comentam que fica um resultado muito natural, que não parece cirurgia plástica", afirma.
A ideia de naturalidade, porém, vai além de tornar uma cirurgia pouco perceptível. Na prática, ela passa por compreender proporções, anatomia, características da pele, histórico clínico e expectativas antes de definir o que pode ser feito em cada caso.
Essa atenção se torna especialmente relevante em procedimentos de contorno corporal, uma das áreas de atuação de Alonso. Entre eles está a abdominoplastia, cirurgia que ganhou espaço em sua prática e na qual pequenas decisões ao longo do planejamento podem interferir diretamente na harmonia do resultado.
Um desses detalhes está no resultado estético do umbigo, etapa que Alonso considera importante para a naturalidade da abdominoplastia. Posição, formato, profundidade e a transição com a pele ao redor precisam ser planejados de acordo com a anatomia de cada paciente. A intenção é evitar um aspecto excessivamente marcado ou artificial, fazendo com que o umbigo se integre de maneira harmônica ao novo contorno abdominal.
Para o cirurgião, esse refinamento ajuda a reduzir um dos sinais visuais que podem tornar uma cirurgia mais perceptível. "O umbigo precisa parecer parte daquele abdômen. Quando ele fica natural, o resultado como um todo também se torna mais discreto", afirma.
Estética e segurança fazem parte da mesma decisão
A expectativa por um determinado resultado é apenas uma das etapas que antecedem uma cirurgia plástica.
Histórico de saúde, cirurgias anteriores, medicamentos em uso, hábitos, qualidade dos tecidos e capacidade de cicatrização estão entre os aspectos que podem interferir tanto na indicação quanto na recuperação. Por isso, a avaliação pré-operatória e uma conversa transparente sobre possibilidades e limitações são parte importante do processo.
Na visão de Alonso, o benefício estético precisa caminhar junto à preservação do paciente. A preocupação é evitar que a tentativa de alcançar determinada aparência faça com que decisões importantes para a segurança sejam colocadas em segundo plano.
Essa perspectiva também ajuda a explicar por que o conceito de "resultado ideal" pode mudar de uma pessoa para outra. Corpos diferentes apresentam limites, proporções e respostas biológicas distintas, e compreender essas particularidades faz parte do trabalho de quem planeja uma intervenção.
O avanço da tecnologia acrescentou novas possibilidades a esse cenário.
Equipamentos e recursos incorporados à cirurgia plástica vêm auxiliando médicos em diferentes etapas dos procedimentos e ampliando alternativas para determinados pacientes. Alonso, entretanto, prefere enxergar essas tecnologias como instrumentos a serviço do planejamento cirúrgico, e não como substitutas da técnica ou do julgamento médico.
"Tem chegado muita tecnologia que tem ajudado os procedimentos. Na verdade, as tecnologias que têm chegado têm ajudado a melhorar os procedimentos que sempre foram feitos cirurgicamente", explica.
Mesmo diante da expansão dos tratamentos estéticos não cirúrgicos, ele mantém seu trabalho concentrado principalmente na cirurgia.
Para Alonso, o desenvolvimento tecnológico tende a ser mais relevante quando permite aperfeiçoar aquilo que já é realizado, trazendo novas possibilidades de execução e refinamento sem perder de vista a indicação adequada para cada paciente.
Uma escolha que começou antes da especialização
A relação de Marcelo Alonso com a cirurgia plástica começou muito antes de sua atuação profissional.
Ainda na infância, ele teve contato próximo com a especialidade por meio de um tio cirurgião plástico. Ao mesmo tempo, cresceu em uma família na qual a percepção estética também estava presente de outras maneiras. Um de seus irmãos, por exemplo, tornou-se artista plástico.
Com o avanço da formação médica, aquele interesse inicial passou a ganhar dimensão prática.
Um dos episódios que marcaram esse processo ocorreu quando Alonso ainda trabalhava como cirurgião geral em um serviço de emergência.
Uma menina chegou ao atendimento após sofrer uma mordida de cachorro, com um ferimento importante próximo à pálpebra inferior. Naquele momento, segundo o médico, não havia um cirurgião plástico disponível no plantão.
Alonso assumiu o atendimento.
Mais tarde, a experiência permaneceria em sua memória menos pela complexidade do procedimento em si e mais pela percepção de que uma decisão tomada em poucas horas poderia produzir consequências durante muitos anos na vida daquela paciente.
"Dependendo de quem ela tivesse atendido naquele dia, a vida dela seria diferente", relembra.
O episódio contribuiu para ampliar sua percepção sobre a própria especialidade. Uma cicatriz localizada no rosto, uma alteração de contorno ou uma estrutura comprometida podem ter repercussões que ultrapassam a dimensão física.
Na cirurgia plástica, aparência, função e percepção pessoal muitas vezes estão próximas. É justamente essa combinação que torna cada decisão mais individualizada.
O refinamento como próximo passo
Depois de consolidar sua atuação, Alonso diz enxergar o futuro menos como uma busca por mudanças radicais na maneira de operar e mais como um processo contínuo de aperfeiçoamento.
"Eu penso, na verdade, em melhorar o que eu já faço. Cada vez conseguir entregar um resultado melhor".
Isso envolve acompanhar novas tecnologias, refinar técnicas e observar de forma cada vez mais criteriosa como diferentes pacientes respondem aos procedimentos.
Também significa reconhecer que cirurgia plástica envolve expectativas e que elas precisam ser discutidas antes da entrada no centro cirúrgico. Um resultado esteticamente satisfatório depende de diversos fatores e não pode ser analisado isoladamente do organismo, das características individuais e do processo de recuperação de cada pessoa.
É nesse encontro entre planejamento, segurança, experiência e evolução técnica que Marcelo Alonso pretende continuar construindo sua trajetória.
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Para ele, a naturalidade permanece como uma espécie de norte: realizar uma transformação capaz de ser percebida pelo paciente, sem fazer da cirurgia a característica mais evidente de sua aparência.
