Durante décadas, o primeiro requisito não escrito da carreira de comissário de voo foi o endereço. As escolas se concentraram nas capitais, sobretudo em São Paulo, e quem morava em Belo Horizonte, no interior de Minas ou em qualquer cidade fora do eixo precisava somar ao curso o custo de uma mudança: aluguel, transporte, meses longe da renda da família.
Essa conta mudou. A formação a distância permite cursar toda a teoria de casa, e a etapa presencial ficou restrita ao que precisa ser presencial: as práticas obrigatórias de emergência. No CEAB, escola com 27 anos de mercado, o EAD de comissário dura cerca de cinco meses, com sobrevivência em selva, exercícios no mar e combate ao fogo concentrados em um único dia no centro de treinamento próprio da escola.
Na prática, a viagem que antes era uma mudança virou uma visita. O aluno organiza a teoria no próprio ritmo, com plataforma de realidade virtual 360° e simuladores, e planeja um deslocamento pontual para o dia de práticas, além de contar com a unidade de Curitiba como ponto de suporte da modalidade.
"O interesse pela aviação sempre existiu no Brasil inteiro. O que não existia era um caminho para quem mora longe dos grandes centros. O EAD com prática presencial resolveu isso: a teoria vai até o aluno, e o aluno vem até a prática uma única vez", diz Salmeron Cardoso, diretor e CEO do CEAB.
? Vídeo: treinamento prático de sobrevivência na selva do CEAB — https://youtu.be/-4cdQ90vaSw
O momento do mercado ajuda a explicar o interesse. A LATAM projetou quase mil vagas de comissário para 2026, a Gol mantém banco de talentos aberto até dezembro e a Emirates faz triagem de candidatos em São Paulo em outubro, enquanto o setor discute a falta de tripulantes como risco do ano. Para quem está fora dos grandes centros, a combinação é inédita: a demanda cresceu, em mais de uma frente, e a distância deixou de eliminar candidatos antes da largada.
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O alerta de serviço permanece, por outro motivo: a seleção final é da companhia aérea, e processos seletivos recentes têm solicitado documentos como o CCT (Certificado de Conhecimentos Teóricos) e o certificado de treinamento prático. Ou seja, o que a escola entrega precisa ser comprovável, e o que separa escola séria de curso de fachada é a etapa presencial de emergência. Se a promessa for de curso 100% online, sem prática de emergência, a economia de deslocamento está saindo caro.
