O estoque de pedidos parados no INSS despencou em 2026. Em julho, apenas 374 mil processos aguardavam decisão havia mais de 45 dias, ante 1,88 milhão em janeiro, uma queda de cerca de 80% e o menor patamar desde o início de 2023. À primeira vista, o dado sugere que o instituto ficou mais eficiente para o segurado. Na prática, ele mede outra coisa: quantos processos saíram da fila, não quantos foram aprovados.

Para o advogado especialista em benefícios do INSS Artur Araujo, fundador da A&M Law, esse detalhe muda a leitura do problema. "Reduzir fila é uma meta importante, mas é só um lado da moeda. O outro é o tanto de gente que recebeu uma negativa esse ano e não sabia que tinha só trinta dias pra reagir", explica.

Os números do primeiro semestre confirmam a preocupação. Entre janeiro e maio, o instituto negou em média 668,6 mil pedidos por mês, um salto de cerca de 70% na comparação com o mesmo intervalo de 2025. No acumulado, foram aproximadamente 4,3 milhões de indeferimentos contra 4,2 milhões de concessões, o que resulta numa taxa de aprovação de 49,5%, patamar semelhante ao de 2021 (50,6%) e 2022 (50,5%). Segundo o próprio INSS, o critério de análise não ficou mais rígido; o que cresceu foi o volume total de decisões, e junto dele cresceu, na mesma proporção, o número de negativas.

É nesse ponto que mora o risco para quem foi surpreendido por uma carta de indeferimento neste ano. A partir da ciência da decisão, o segurado tem apenas trinta dias para apresentar recurso administrativo, prazo que vale tanto para quem teve pedido de aposentadoria negado quanto para famílias que buscam benefício assistencial. "Entre quem recebe negativa, tem segurado que perdeu parte da capacidade de trabalhar e tem mãe de criança com deficiência requerendo o BPC. Os dois têm o mesmo prazo curto, e quase ninguém sabe disso", afirma Araujo.

A boa notícia é que o caminho para recorrer não exige gastos: o recurso é gratuito, dispensa advogado por exigência legal e pode ser protocolado diretamente pelo aplicativo Meu INSS. Quem analisa o pedido não é quem negou. O processo é encaminhado ao Conselho de Recursos da Previdência Social, órgão colegiado ligado ao Ministério da Previdência Social e não subordinado ao instituto, dividido em 29 Juntas de Recursos, quatro Câmaras de Julgamento e um Conselho Pleno. O ritmo de julgamento também melhorou: o tempo médio de tramitação, que passava de 390 dias no início de 2023, foi reduzido para 147 dias.

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O retrato completo, portanto, mistura duas tendências opostas: uma fila administrativa que encolhe e uma quantidade de indeferimentos que cresce. Para quem recebeu uma negativa recentemente, o alerta prático é simples: a queda no indicador oficial não é motivo para relaxar o prazo de reação, que continua sendo de apenas um mês.

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