O Brasil chegou a 25.429 eletropostos públicos e semipúblicos em junho de 2026, com 34% de carregadores rápidos (DC). O número parece robusto, mas esconde um desequilíbrio que vem chamando atenção de quem avalia onde investir no setor: a proporção de 19,9 veículos plug-in para cada ponto público de recarga, segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) e a Tupi Mobilidade, é quase o dobro da referência de 10 para 1 considerada ideal.

O descompasso cresce junto com a frota. O país emplacou 215.023 veículos eletrificados no primeiro semestre de 2026, alta de 125% sobre o mesmo período de 2025. São Paulo respondeu por 28,7% das vendas do semestre (61.629 unidades), e Minas Gerais está entre os cinco maiores mercados regionais do país, ao lado do Distrito Federal, do Paraná e do Rio de Janeiro. Quanto mais rápido a frota cresce, mais a rede de recarga fica para trás.

É esse gargalo que a Rota BR 101, empresa que estrutura uma rede de eletropostos próprios ao longo da rodovia que conecta os principais mercados do Sudeste e do Sul, decidiu endereçar diretamente. A primeira etapa do projeto prevê 20 unidades, com 100 carregadores DC de 120 kW, 200 conectores e 12 MW de potência nominal instalada, uma escala pensada para reduzir a razão entre veículos e pontos de recarga nos trechos de maior densidade de frota.

"Começamos onde a frota está e onde a demanda já sustenta operação. A BR-101 liga os maiores mercados do carro elétrico do país, e é por eles que a rede entra. O litoral entre a Bahia e o Espírito Santo é a fronteira que a expansão alcança", afirma Victor Rabelo, sócio fundador e diretor de expansão da Rota BR 101.

A urgência do investimento tem respaldo em estudo da C40 Cities com a IFC, apoiado pela ABVE, que estima cerca de R$ 5 bilhões em investimentos em infraestrutura de recarga necessários no Brasil até 2035. Enquanto isso, a busca por informação já reflete a pressão da demanda represada: as buscas por "eletroposto" no Google cresceram 309% em 12 meses, segundo a Descarbonize Soluções, com Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul entre os cinco estados que mais pesquisaram o termo.

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Para o setor, o alerta é direto: a proporção de quase 20 veículos por ponto de recarga tende a piorar antes de melhorar, porque a frota nacional segue crescendo em ritmo mais acelerado do que a instalação de novos eletropostos nas rodovias que concentram o maior volume de tráfego. Quem decide investir em infraestrutura de recarga hoje corre atrás de uma demanda que já existe, não de uma aposta especulativa.

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