Durante anos, a performance fez parte da vida de Jéssica Mueller dentro do esporte. A rotina de treinos, as repetições e a necessidade de recomeçar depois de um resultado ruim ensinaram algo que ela ainda carrega: motivação ajuda, mas não sustenta uma trajetória sozinha.

Formada e pós-graduada em Educação Física, a personal trainer trabalha na construção de um método de alta performance voltado para mulheres. Agora, também amplia sua atuação como palestrante, levando a empresas e eventos conversas sobre disciplina, comportamento, produtividade e tomada de decisão.

Jéssica evita tratar alta performance como sinônimo de uma rotina exaustiva. Para ela, o resultado depende mais da capacidade de manter uma direção do que de viver em ritmo acelerado o tempo inteiro.

Nesta entrevista, a ex-atleta fala sobre os aprendizados trazidos da ginástica, o erro de tentar mudar tudo de uma vez e a diferença entre terminar o dia ocupado e, de fato, avançar.

Quando você fala em alta performance, do que exatamente está falando?

Durante muito tempo, alta performance foi associada a fazer mais, treinar mais, trabalhar mais e suportar mais. Eu não acredito que seja isso. Para mim, significa entregar o melhor resultado possível de forma consistente, levando em conta o momento que você está vivendo.

Há dias em que você consegue dar 100%. Em outros, talvez tenha apenas 60% disponíveis. A diferença está em saber o que fazer com esses 60%, sem transformar uma dificuldade momentânea em desistência.

Então, viver no limite não faz parte dessa definição?

Ninguém consegue viver no limite o tempo inteiro. Também é preciso saber descansar, reorganizar a estratégia, mudar a rota e depois acelerar novamente. Inteligência, constância e direção costumam ser mais importantes do que manter uma intensidade permanente.

Você fala bastante sobre disciplina. A motivação é superestimada?

A motivação é importante, mas oscila. Não dá para construir resultados dependendo de estar motivada todos os dias. A vida adulta tem trabalho, família, problemas e imprevistos. Se você depender exclusivamente da motivação, em algum momento vai parar. A disciplina é o que permanece quando a motivação vai embora.

O esporte influenciou essa forma de pensar?

Totalmente. A ginástica me ensinou sobre repetição, preparação, frustração e recomeço. As pessoas normalmente enxergam a medalha. O atleta aprende a enxergar todas as horas de treinamento que vieram antes dela.

Um resultado quase nunca nasce de um único grande momento. Ele costuma ser construído por centenas de pequenas decisões que ninguém está vendo.

Como essa experiência se transforma em uma palestra?

Quero conversar sobre performance de uma maneira aplicável. Não adianta uma pessoa assistir à palestra, se emocionar por uma hora e, no dia seguinte, continuar fazendo tudo exatamente igual.

A intenção é deixar uma pergunta prática: o que eu estou fazendo todos os dias que me aproxima ou me afasta daquilo que digo querer? Se a pessoa sair pensando nisso, a palestra já cumpriu uma parte importante do papel.

Esse assunto também encontra espaço dentro das empresas?

Muito. Empresas são formadas por pessoas. Falamos de metas, produtividade e resultados, mas existe um comportamento por trás de cada indicador.

Como aquela pessoa reage à pressão? Como administra uma frustração? Consegue manter a constância? Sabe se reorganizar quando um planejamento não funciona? Essas respostas interferem diretamente na performance profissional.

Qual é a diferença entre estar ocupado e ter alta performance?

Você pode terminar o dia completamente exausto e, ainda assim, não ter avançado no que realmente importa. Alta performance não significa preencher cada minuto da agenda. É preciso ter clareza sobre o que merece energia.

Uma pergunta que costumo fazer é: o que precisa acontecer hoje para que este dia tenha valido a pena? Isso muda a maneira como a pessoa se relaciona com a produtividade.

Como o método voltado para mulheres entra nessa construção?

Ele nasceu justamente dessa visão. Muitas mulheres sabem que precisam treinar, cuidar da alimentação, dormir melhor e organizar a rotina. O problema geralmente não está em saber o que fazer, mas em conseguir sustentar esses hábitos na vida real.

Por isso, a proposta considera treinamento, alimentação, comportamento, rotina e mentalidade. O programa precisa conversar com a vida da mulher. Não pode exigir que ela reorganize tudo para conseguir caber nele.

Qual é o erro mais comum de quem busca uma mudança?

Querer mudar tudo de uma vez. A pessoa decide que vai treinar todos os dias, nunca mais sair da dieta, dormir cedo, beber mais água e reorganizar a vida inteira a partir da segunda-feira.

Na primeira semana, funciona. Depois, a realidade aparece. Acredito mais em uma evolução sustentável: escolher comportamentos importantes, repeti-los e dar tempo para que sejam consolidados.

O que significa sucesso para você hoje?

Ter clareza sobre a vida que quero construir e disciplina para fazer o que precisa ser feito até chegar lá. Sonhar é importante, mas existe uma distância entre desejar alguma coisa e conquistá-la. Essa distância costuma ser preenchida pelo comportamento.

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A combinação de disciplina, comportamento e resultado conduz a nova fase profissional de Jéssica Mueller. Paralelamente à criação de seu método de alta performance feminina, ela prepara conteúdos para empresas e eventos sobre constância, produtividade e performance sustentável, sempre com a preocupação de deixar algo que possa ser aplicado depois que a palestra termina.

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