A forma mais comum de adotar inteligência artificial numa empresa é liberar o acesso às ferramentas e esperar que cada um descubra como usar. A Visus, empresa de gestão de ativos e engenharia, fez o oposto: mapeou atividades administrativas, técnicas e comerciais, mediu quanto tempo cada uma consumia antes e depois da IA, e só então decidiu o que virava rotina.
O levantamento interno da Visus apontou uma redução média de aproximadamente 98% no tempo total de execução das tarefas mapeadas. Processos que ocupavam um turno inteiro de trabalho passaram a ser concluídos em poucos minutos. Mas o dado mais útil para outros gestores não é o percentual, e sim como ele foi obtido.
O que foi medido
A comparação foi feita atividade por atividade. Documentação técnica: redução de 99,7% no tempo de execução. Relatórios gerenciais para clientes e relatórios semanais de gerência de TI: 99,4%. Análise de dados: 95,8%. Análise e compreensão de RFPs, as referências técnicas e editais: 87,5%. Cada número corresponde a uma tarefa concreta, com tempo registrado antes e depois.
O mapeamento também identificou quais ferramentas sustentam a rotina. O Abacus AI aparece em cerca de 69% das atividades registradas, usado em relatórios gerenciais, análises técnicas e de performance, documentação de projetos e revisão de RFPs. O Microsoft Copilot responde por 19%, em redação de e-mails e checagem de aderência em propostas comerciais. O Gamma AI, com 12%, é aplicado em apresentações.
Por que medir muda o resultado
Ao quantificar o impacto tarefa por tarefa, em vez de simplesmente abrir o acesso, a empresa transformou uma iniciativa dispersa em política corporativa, com dados que sustentam decisões futuras de investimento em tecnologia e capacitação. É a diferença entre ter funcionários que usam IA e ter uma empresa que sabe onde a IA rende.
"A inteligência artificial só gera valor real quando sai do improviso individual e vira processo. Trabalhamos com a Visus para transformar o uso de IA em algo mensurável, seguro e replicável entre as áreas, e os números comprovam que esse caminho funciona quando há critério e responsabilidade na condução", afirma Enio Moraes, professor de inteligência artificial e founder da movimento.ai, consultoria que conduziu a mentoria da equipe.
Medir também mostrou qualidade
O gestor de TI da Visus, Maxwesley Miguel da Silva, aponta que a medição revelou um ganho que o cronômetro sozinho não captura. "Ganhamos tempo, mas ganhamos, principalmente, qualidade. Os relatórios saem consolidados, as análises de propostas e documentos pré-contrato ganham amplitude, os processos contábeis estão consistentes e mais previsíveis e a comunicação com o cliente melhorou, porque a equipe consegue revisar e refinar o que produz, em vez de correr contra o relógio. No fim, é tempo que volta para as pessoas", diz.
Para o CEO Tomilson Lima Mota, o método sustenta a finalidade. "Não adotamos inteligência artificial para reduzir pessoas, adotamos para liberar as pessoas para agir naquilo que realmente tem elevado valor estratégico para a Visus. Cada hora que deixamos de gastar em tarefas repetitivas é uma hora a mais dedicada à gestão, aos clientes e à qualidade técnica que é a nossa essência. Isso é o que entendemos como o uso responsável da tecnologia: com governança, com mentoria qualificada e com foco em produção e qualidade", resume.
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O próximo passo é ampliar o mapeamento para novas áreas e formalizar diretrizes internas de uso, unindo produtividade a controles de qualidade e segurança da informação. Para quem quer medir o próprio ganho, o roteiro da Visus cabe em uma linha: escolher as tarefas, cronometrar antes, cronometrar depois, e decidir com o número na mão.
