Quem pesquisa quanto custa abrir uma lavanderia self-service costuma esbarrar em formatos que exigem operação completa desde o primeiro dia, com várias máquinas, ponto grande e investimento na casa das centenas de milhares de reais. Uma rede catarinense decidiu partir do outro extremo: um único conjunto de máquinas, um espaço a partir de 3 m² e investimento a partir de R$ 70 mil.

O formato é da Ta Suave, marca de lavanderia self-service com sede em Joinville (SC). A proposta é que o franqueado comece pequeno, confirme se o ponto funciona e só então avance para os modelos maiores da rede, que usam a mesma base de equipamento e mudam o entorno e a experiência, não a tecnologia.

"O grande ganho aqui é que você começa enxuto. Você não aposta R$ 200 mil de cara", diz Danilo Santana, sócio-diretor de operações. "Você prova o conceito, valida a praça e, se der certo, expande para o próximo modelo."

O que está incluído no formato de entrada

O módulo inicial reúne lavagem e secagem em um só conjunto. A unidade opera em autoatendimento, sem equipe fixa, e pode ser administrada pelo próprio franqueado com acompanhamento remoto por sistema de gestão. A exigência mínima do ponto é ter instalação de esgoto e saneamento.

Segundo a rede, é a ausência de folha de pagamento que torna o formato viável em metragens tão pequenas. Sem funcionário, sem horário limitado e com custo fixo baixo, a operação se sustenta em espaços que não comportariam uma lavanderia tradicional.

Por que o valor de entrada importa neste mercado

Só cerca de 4% da população economicamente ativa brasileira usa lavanderia. O país tem mais de 27 mil lavanderias registradas, mas apenas cerca de 3 mil operam em self-service. Com demanda urbana crescendo e penetração ainda baixa, o segmento acumulou 44% de crescimento entre 2019 e 2024. O custo de entrada define quem consegue aproveitar esse movimento.

A Ta Suave é uma das marcas da Enigma, grupo que estrutura e expande as redes de franquia das quais é sócio. A Enigma já opera a Laville, rede de lavanderias com mais de 100 unidades no país. Danilo Santana e Roberto Cruz respondem pela operação da Ta Suave.

Ponto antes da assinatura

Investir pouco não elimina o principal risco do setor, que é escolher o lugar errado. A rede trata a definição da praça como método, com dados de fluxo, entorno, densidade habitacional e concorrência. "A gente reduz o seu maior risco antes de você assinar qualquer coisa", afirma Santana.

Não há exclusividade territorial ampla. A rede mantém liberdade para expansão orgânica segundo critérios próprios, aplicando um raio de segurança entre unidades existentes para evitar sobreposição.

Diferença em relação às grandes redes

Redes maiores do setor também lançaram versões compactas, mas em geral só as oferecem a franqueados que já operam uma unidade há algum tempo. Na Ta Suave, o formato compacto é a porta de entrada. Para quem quer saber quanto custa começar, a resposta da rede é R$ 70 mil, um módulo e um ponto validado antes de qualquer expansão.

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"Não queremos vender franquia. Queremos vender crescimento previsível", resume Santana.

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