Um número chega por relatório, por planilha ou por resposta de uma ferramenta de inteligência artificial e entra direto na análise que vai definir um investimento, uma contratação ou um corte de custos. Antes disso acontecer, há três perguntas que a empresa deveria responder: de onde vem esse dado, como ele foi produzido e quando foi atualizado pela última vez.

A recomendação é do Latin American Quality Institute (LAQI), que aborda o tema na Quality Magazine, publicação mensal do instituto disponível neste link. A tese é simples: em um cenário de excesso de informação, verificar a origem do que se usa deixou de ser detalhe técnico e virou parte da gestão.

“A empresa precisa saber de onde vem a informação que utiliza. Qual é a fonte? Qual a metodologia? Quando aquele dado foi produzido ou atualizado? Essas perguntas são fundamentais quando uma decisão pode gerar impacto financeiro, operacional ou reputacional”, afirma Daniel Maximilian Da Costa, founder e CEO da LAQI.

Por que verificar antes de usar

O alerta ganha peso porque as ferramentas de IA passaram a apoiar análises de mercado, planejamento, gestão de riscos e avaliações ligadas a sustentabilidade e governança. Esses sistemas entregam respostas em segundos, mas a resposta é tão boa quanto a informação usada para construí-la. Para a empresa, a consequência prática é a necessidade de criar rotinas de validação e de preferir fontes com credibilidade, histórico e critérios conhecidos.

“Estamos vivendo uma transição em que a informação deixou de ser apenas um recurso de apoio e passou a fazer parte da infraestrutura das decisões empresariais. Se a informação utilizada não for confiável, a tecnologia apenas acelera uma decisão que pode estar errada”, diz Da Costa.

Na prática, as três perguntas funcionam como um checklist. Um dado sem fonte identificável não deveria sustentar uma decisão relevante. Um dado com fonte, mas sem metodologia clara, pede cautela. E um dado correto, porém desatualizado, pode levar a uma leitura equivocada do mercado ou do risco envolvido.

Verificação como rotina, não como exceção

Para o executivo, o filtro não pode depender da boa vontade de quem recebe a informação. Precisa ser um procedimento repetido, aplicado da mesma forma pelos diferentes setores da organização, independentemente de quem está analisando.

“A qualidade da informação precisa ser tratada como um processo. Não basta receber um dado e incorporá-lo automaticamente a uma análise. É preciso compreender sua origem, verificar sua consistência e avaliar se ele realmente serve ao objetivo para o qual será utilizado”, afirma.

O ponto vale para áreas sensíveis, como os indicadores ambientais, sociais e de governança usados para avaliar fornecedores e projetos. Quando esses dados não têm rastreabilidade, as comparações ficam comprometidas e a empresa fica mais exposta a riscos financeiros e de reputação.

Serve também para quem não tem equipe de dados

O checklist não é exclusividade de grandes corporações com departamentos de inteligência de mercado. Pequenas e médias empresas, que raramente contam com essa estrutura, podem adotar as mesmas perguntas como procedimento básico e, com isso, reduzir custos gerados por decisões tomadas sobre bases frágeis.

“A empresa não precisa necessariamente ter mais informação. Muitas vezes, precisa ter melhores critérios para selecionar a informação que utiliza. Em um mundo de excesso de conteúdo, saber descartar aquilo que não é confiável também é uma competência empresarial”, conclui Da Costa.

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Em resumo, saber se uma informação é confiável passa por responder às três perguntas antes de usá-la. Se alguma delas ficar sem resposta, o dado ainda não está pronto para sustentar uma decisão.

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