Produtores rurais de regiões mineiras mais sujeitas à irregularidade de chuvas já monitoram de perto os boletins climáticos divulgados neste ano. A Nota Técnica Conjunta publicada em 19 de junho pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), pelo INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), pela Funceme (Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos) e pelo CENSIPAM (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia) aponta probabilidade superior a 95% de persistência do El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, com possível extensão até o início de 2027 e potencial de intensidade forte a muito forte.
Efeito assimétrico entre as regiões
O fenômeno tende a agravar a estiagem no Norte, no Nordeste e em partes do Centro-Oeste e do Sudeste, região que inclui Minas Gerais, enquanto favorece chuvas acima da média no Sul do país. Estimativa apresentada por Eduardo Assad, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) e ex-secretário do Ministério do Meio Ambiente, projeta que um El Niño forte em 2026 pode provocar queda de 7% a 10% na produção brasileira de soja, milho, café e laranja, culturas com peso relevante no agro mineiro.
Indústria antecipa produção
O movimento já aparece na ponta industrial da cadeia. A Asperbras, fabricante de tubos e conexões de PVC e PEAD fundada em 1985 em Penápolis (SP), opera com seis plantas no país e capacidade de 60 mil toneladas por ano de PVC e 14 mil toneladas por ano de PEAD. "A decisão de irrigar não acontece no mês do plantio, ela acontece antes. Quando o produtor lê um boletim climático em junho, o pedido de tubo chega em julho e agosto, porque ele precisa do sistema montado e testado antes da semeadura", afirma Thiago Rosa, Diretor Comercial da companhia.
Do lado do portfólio, a companhia trabalha com tubos em diâmetros de DN15 a DN500 e conexões de DN15 a DN150, faixa que cobre da condução principal aos ramais de distribuição. No cenário atual, ganha relevância o formato de projeto sazonal, em que o produtor testa a irrigação em uma área antes de imobilizar capital em estrutura fixa.
Com o plantio da safra 2026/27 concentrado entre setembro e outubro, o terceiro trimestre se torna decisivo para quem ainda avalia investir em irrigação, já que o dimensionamento do projeto, a compra de tubulação, a montagem e o teste de pressão consomem semanas.
Potencial de expansão segue alto
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Levantamento da Embrapa com dados até outubro de 2024 mostrou que a área irrigada por pivôs centrais no Brasil cresceu mais de 14% em dois anos, chegando a 2,2 milhões de hectares. Estudos da ANA (Agência Nacional de Águas) e do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional estimam o potencial irrigável do país em até 55 milhões de hectares, uma distância que segue orientando decisões de investimento mesmo fora de anos de El Niño.
