No ensino privado, conquistar um aluno custa caro e perdê-lo custa mais. O investimento em captação se paga ao longo dos semestres, e cada desistência no meio do caminho joga fora a parte não amortizada desse custo. É por isso que a permanência virou, nos últimos anos, o indicador que mais interessa à gestão das instituições, à frente até do volume de matrículas.

A novidade é o instrumento que começou a aparecer nessa disputa: benefício de saúde.

A conta que a instituição faz

O raciocínio é o mesmo que o RH corporativo aprendeu a fazer com absenteísmo. Ausência não planejada e afastamento por questões emocionais têm custo, ainda que ele não apareça em nenhuma linha de despesa. Na empresa, esse custo é produtividade. Na escola, é frequência, rendimento e, no limite, trancamento de matrícula.

Uma camada de telemedicina entregue por aplicativo custa uma fração de qualquer estrutura assistencial própria. Se ela reduzir a evasão em alguns pontos percentuais ao longo de um curso, o investimento se paga sozinho. É uma decisão de gestão financeira apresentada como cuidado.

Onde o modelo já está rodando

O Centro Educacional de Aviação do Brasil, escola que forma comissários de bordo desde 1998, incluiu na jornada dos alunos do curso de comissário o acesso ao aplicativo da Voxcare, plataforma que reúne teleconsulta médica, apoio psicológico, orientação nutricional e um clube de vantagens.

“A instituição de ensino é o contratante mais parecido com uma empresa que existe fora do mercado de trabalho: base recorrente, relação longa, e um custo de saída altíssimo quando a pessoa vai embora. A diferença é que ninguém tinha desenhado benefício para ela”, afirma Sonia Cardoso, CEO da Voxcare.

O tamanho do espaço

O mercado brasileiro de benefícios movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano, com crescimento estimado perto de 9% ao ano, e circulou historicamente quase todo dentro da relação entre empresa e empregado. A entrada do setor educacional abre um endereço novo para esse dinheiro, em um estado como Minas Gerais, que concentra uma das maiores redes de ensino superior privado do país.

A base técnica que viabiliza tudo isso é a telessaúde regulada desde a Lei 14.510, de 2022, hoje com escala comprovada: foram mais de 7,98 milhões de atendimentos registrados no país entre 2020 e 2025, segundo o Painel de Indicadores da Saúde Digital Brasil.

O que ainda falta medir

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

O argumento é convincente e ainda é, em boa parte, teórico. Não há série histórica brasileira que isole o efeito de um benefício de saúde sobre a evasão escolar, separando-o de mensalidade, qualidade do curso e situação econômica do aluno. As instituições que adotarem o modelo agora vão gerar exatamente esse dado nos próximos anos, e ele é o que vai definir se a categoria pega ou se fica como diferencial de marketing.

compartilhe