Pedro Ramalho aposta em experiência sensorial para reinventar o motel

O que uma suíte pode dizer sem usar palavras? Para o influenciador e empresário Pedro Ramalho, pode dizer muito, inclusive por meio da música. À frente de uma nova fase do The Eye Motel, em Londrina (PR), ele aposta na combinação entre arquitetura, tecnologia, entretenimento e estímulos sensoriais para propor uma maneira diferente de pensar a experiência em um segmento tradicionalmente associado apenas à hospedagem.

A ideia é tratar cada suíte como um destino, com identidade própria. Iluminação, decoração, aromas, gastronomia, atendimento e música são pensados para atuar em conjunto. A proposta ganhou uma tradução particularmente curiosa: um álbum autoral com 15 faixas, cada uma inspirada em uma das suítes do empreendimento.

Mais do que criar uma trilha sonora para os quartos, Ramalho decidiu transformar a música em parte da identidade da marca. "Não se trata simplesmente de uma playlist de motel. Estamos desenvolvendo um álbum com 15 músicas autorais, sendo cada faixa inspirada em uma das suítes e no universo daquela experiência", explica.

A estratégia representa uma mudança de perspectiva para o empresário, que afirma não querer apenas modernizar um empreendimento, mas explorar o que existe ao redor da experiência de estar em um motel. Música, cinema, moda, design, gastronomia e arte passaram a fazer parte do universo que pretende aproximar da marca.

"Eu não queria simplesmente reformar um empreendimento, modernizar as suítes e voltar a operar. Queria entender como poderíamos transformar a ida ao motel em uma experiência mais contemporânea, sensorial e conectada com comportamento, entretenimento, criatividade e cultura", afirma.

É nesse ponto que Ramalho enxerga uma oportunidade maior: provocar uma discussão sobre os próximos passos da motelaria. "Às vezes eu mesmo me pego pensando: como ninguém nunca fez isso antes dentro de um motel? É esse tipo de provocação que eu gosto de fazer como empresário. Não quero apenas acompanhar o mercado; quero experimentar, criar movimentos e entender até onde podemos levar esse segmento", afirma.

A proposta, segundo ele, é transformar o The Eye em um espaço de experimentação. "Se estamos começando a reinventar a experiência dentro de um motel, fica a pergunta: o que podemos fazer daqui para frente? Quero que o The Eye seja também um laboratório de ideias e que algumas dessas experiências possam ajudar a apontar caminhos para o futuro da motelaria", acrescenta.

Outro aspecto da estratégia está na relação criada com as redes sociais. Durante a transformação do The Eye Motel, Pedro decidiu mostrar também aquilo que normalmente ficaria longe do público: reformas, decisões, dificuldades, erros e acertos.

O resultado foi a formação dos chamados "Motelovers", comunidade que acompanha o empreendimento, comenta as mudanças e participa das discussões sobre a marca. Para o empresário, essa proximidade ajudou a transformar seguidores em parte da própria construção do negócio.

"Algumas pessoas chegam e reconhecem detalhes que mostramos durante a reforma, perguntam sobre coisas que acompanharam nos vídeos ou querem conhecer determinada suíte porque viram sua história sendo construída. É quase como entrar fisicamente em uma série que você vinha acompanhando pela internet", conta.

A experiência, portanto, começa antes da chegada ao motel. Pode nascer de um vídeo, passar pela descoberta de uma suíte, ganhar uma identidade musical e terminar em uma visita presencial. É essa continuidade entre o digital e o físico que Ramalho pretende ampliar.

Para ele, existe ainda uma mudança cultural em andamento. Historicamente cercada por certo tabu, a motelaria raramente foi tratada como território de branding, entretenimento e cultura.

A proposta do The Eye é explorar esse espaço sem abrir mão de discrição e respeito. "Estamos experimentando outras maneiras de falar sobre desejo, relacionamentos e experiências sem tratar esses assuntos como algo proibido ou vulgar", diz.

Em 2026, o empresário pretende avançar em projetos audiovisuais, novas experiências, produtos, colaborações e ações voltadas aos Motelovers. Também estão nos planos parcerias com marcas de moda, beleza, gastronomia, tecnologia, música e entretenimento.

A intenção é que o The Eye seja reconhecido não apenas como um endereço, mas como uma marca de experiências. Para Pedro, a principal mudança está em entender que uma experiência pode continuar mesmo depois que o cliente deixa o quarto. "A reforma pode terminar, mas uma marca nunca termina de ser construída", resume.

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Visite o "The Eye Motel" no Instagram: @theeyemotel

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