Um dos casos que mais chocou o Brasil no início da década, o esquema liderado por Glaidson Acácio dos Santos, o "Faraó dos Bitcoins", já tem um desfecho judicial. O ex-garçom que se tornou líder de uma das maiores pirâmides financeiras do país foi condenado, encerrando um capítulo de promessas de lucros exorbitantes com criptomoedas que atraiu milhares de investidores e ruiu sob investigação policial.

Sediado em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, o negócio de Glaidson, a GAS Consultoria, prometia um rendimento fixo de 10% ao mês sobre o valor investido. Essa oferta irreal para o mercado foi o principal atrativo para clientes de todo o país. As investigações confirmaram que o esquema movimentou mais de R$ 38 bilhões e deixou um rastro de aproximadamente 77 mil vítimas.

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A trajetória de Glaidson é marcada por uma ascensão meteórica. Antes de entrar no universo das criptomoedas, ele atuou como garçom e, posteriormente, tornou-se pastor de uma igreja evangélica, o que o ajudou a construir uma rede de confiança fundamental para captar os primeiros investidores.

O modelo de negócio da GAS Consultoria operava como uma clássica pirâmide financeira: o dinheiro de novos clientes era usado para pagar os rendimentos dos investidores mais antigos. Enquanto o fluxo de entrada de capital era constante, o esquema se mantinha de pé, criando uma falsa aparência de sucesso e solidez.

A Operação Kryptos e a queda

A derrocada do "Faraó dos Bitcoins" começou em agosto de 2021, quando a Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram a Operação Kryptos. A investigação apontou que a empresa não realizava os investimentos que prometia e que a estrutura era, de fato, uma fraude bilionária.

Durante a operação, as autoridades apreenderam uma fortuna em bens, incluindo carros de luxo, imóveis e grandes quantias em dinheiro e criptoativos. A magnitude dos valores envolvidos revelou a dimensão do esquema.

Condenação e desdobramentos

Preso desde a Operação Kryptos, em agosto de 2021, Glaidson já foi condenado a 19 anos e 2 meses de prisão em um processo distinto, o da Operação Novo Egito, por chefiar uma organização criminosa armada e pagar propina a policiais para sabotar investigações contra seu esquema. Mas o capítulo da fraude bilionária contra os investidores da GAS Consultoria segue em aberto: o processo por crimes contra o sistema financeiro, que pode definir o destino de eventual ressarcimento aos cerca de 77 mil credores, está na reta final, mas ainda não foi julgado.

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Em depoimentos recentes, já em 2026, ele admitiu ser uma "baleia", jargão para grandes investidores com poder para influenciar cotações, e confessou ter manipulado o mercado. Enquanto cumpre sua pena, o processo judicial continua com o objetivo de recuperar os ativos e tentar ressarcir os milhares de investidores lesados pelo golpe.


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