Dois meses após ser encontrado vivo dentro de um saco funerário por agentes que foram recolher seu corpo, o bebê Noah Gabriel da Cruz Santos celebrou o segundo 'mêsversário' com direito a festa e um reencontro emocionante com quem o salvou. No último sábado (22), a agente funerária Regina Célia Paschoal esteve com o menino e a família em Rio Claro (SP). "Não tem como descrever a emoção", disse ela ao g1 sobre o momento.

Regina pegou Noah no colo durante a comemoração e registrou a visita com fotos. "Peguei ele no colo, foi gratificante ver o milagre ali vivo", contou ao g1. O também agente funerário Matheus Batagello, que atuou ao lado dela no dia do episódio, foi visitar o bebê separado, assim que terminou o plantão. Os pais de Noah descreveram os dois profissionais nas redes sociais como "os anjos que Deus colocou em nosso caminho para encontrar o nosso bebê milagre".

Alta e volta para casa

Antes da festa de dois meses, Noah já havia deixado o hospital. Ele recebeu alta do Hospital das Clínicas de Bauru em 12 de agosto e foi recebido em casa com bolo, salgadinhos e bexigas. A família informou nas redes sociais que o menino segue em recuperação usando sonda, mas que "agora tudo isso será acompanhado de pertinho, no conforto de casa." Ele havia sido extubado no dia 31 de julho e passou a respirar sem aparelhos.

O que aconteceu em julho?

Noah nasceu em 15 de junho e foi encaminhado direto para a UTI Neonatal da Santa Casa de Rio Claro. Quando completava um mês de vida, sofreu uma parada cardiorrespiratória. O hospital realizou manobras de reanimação por cerca de 45 minutos e declarou o óbito no fim da tarde. Cerca de duas horas depois, ao ir buscar o corpo para os procedimentos funerários, Regina percebeu que o bebê se movia dentro do saco lacrado com fitas e o abriu. Matheus chamou uma enfermeira para confirmar. "Foi desesperador, mas com alívio, né?", resumiu ele. Em 17 anos de profissão, Regina disse que nunca havia vivido algo parecido: "A gente foi buscar um morto e estava vivo".

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Noah foi readmitido na UTI, estabilizado e transferido dois dias depois para o Centrinho, unidade especializada em anomalias craniofaciais da USP em Bauru, onde já aguardava uma vaga para tratamento.

Hospital nega falha; especialista aponta caso raro

A Santa Casa afirmou em nota que todos os protocolos foram "rigorosamente cumpridos" e que não identificou nenhuma falha assistencial. O hospital destacou que a médica responsável pelo caso tem 14 anos de atuação em neonatologia e classificou o episódio como "um acontecimento extraordinário."

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Para especialistas, o caso se encaixa em uma condição descrita na literatura médica conhecida como síndrome de Lázaro o retorno espontâneo da circulação após o fim das manobras de reanimação. Mas o geriatra Nelson Horigoshi, do Hospital Infantil Sabará, ressaltou que o de Noah é atípico mesmo dentro dessa raridade. "Normalmente são minutos. Mais ou menos 70% das pessoas que retornam, retornam em até cinco minutos. Olha só como o caso dessa criança é excepcional a gente está falando de horas", disse ao Fantástico.

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