A chegada da Semana Santa traz consigo diversas tradições observadas por cristãos em todo o mundo. Uma das mais conhecidas é a prática de não comer carne na Sexta-Feira Santa, data que em 2026 será celebrada no dia 3 de abril. Mas de onde vem esse costume e qual o seu verdadeiro significado? A prática está enraizada em um profundo ato de penitência e respeito pela crucificação de Jesus Cristo.
Para a Igreja Católica, a abstinência de carne vermelha e de frango nesta data é uma forma de se unir ao sacrifício de Jesus na cruz. A carne, historicamente associada a banquetes e celebrações, é deixada de lado em sinal de luto, respeito e simplicidade. O gesto simboliza a renúncia aos prazeres terrenos para focar na dimensão espiritual do dia mais solene do cristianismo.
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O que diz o Código de Direito Canônico?
A prática não é apenas uma tradição popular, mas uma orientação formal da Igreja. O Código de Direito Canônico estabelece que todas as sextas-feiras do ano e o tempo da Quaresma são dias e tempos de penitência. A abstinência de carne é obrigatória para os fiéis a partir dos 14 anos de idade em todas as sextas-feiras da Quaresma, incluindo de forma especial a Sexta-Feira Santa e a Quarta-Feira de Cinzas.
Além da abstinência, os católicos entre 18 e 59 anos são incentivados a praticar o jejum na Sexta-Feira Santa, que consiste em fazer apenas uma refeição completa durante o dia, com a possibilidade de duas refeições menores que, juntas, não equivalham à principal.
Por que o peixe é permitido?
A substituição da carne pelo peixe tornou-se um costume global, e a razão é histórica e simbólica. O peixe não era considerado um alimento de luxo ou de festa, sendo muitas vezes a base da alimentação de comunidades mais simples. Por ser um animal de "sangue frio", ele não entra na mesma categoria da carne de animais de "sangue quente" (mamíferos e aves), que são associados ao derramamento de sangue do sacrifício.
No Brasil e em outros países de tradição católica, pratos como o bacalhau se tornaram símbolos culinários da data, unindo a penitência religiosa a uma rica tradição gastronômica familiar.
A prática em outras vertentes do cristianismo
Embora seja mais proeminente no catolicismo, a prática de jejum e abstinência também está presente em outras denominações cristãs. A Igreja Ortodoxa, por exemplo, possui regras de jejum ainda mais rigorosas durante a Quaresma, que geralmente envolvem a abstenção não apenas de carne, mas também de laticínios, ovos e óleo. Algumas correntes do anglicanismo também mantêm a tradição.
Já entre as igrejas evangélicas, a prática não é uma exigência institucional. Embora não haja uma proibição ao consumo de carne, muitos fiéis optam por realizar jejuns ou outras formas de sacrifício pessoal como uma expressão de sua fé e devoção durante a Semana Santa.
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Este conteúdo foi gerado com o auxílio de inteligência artificial e revisado por um editor.
