Em um cenário de eventos climáticos cada vez mais frequentes no Brasil, a pergunta "vai chover hoje?" ganhou peso extra na rotina das pessoas. A resposta, que chega ao seu celular em segundos, é resultado de um trabalho complexo que une tecnologia espacial e imenso poder computacional. Meteorologistas em todo o mundo dependem de uma rede sofisticada para decifrar os sinais da atmosfera.
Essa análise combina dados de satélites, radares e supercomputadores. Cada equipamento cumpre uma função específica para montar o quebra-cabeça do tempo, transformando milhões de informações em uma previsão útil para o seu dia a dia.
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Os olhos que vigiam do espaço
A primeira camada de informação vem de satélites que orbitam a Terra, como o Goes-16, que monitora a América do Sul. Eles funcionam como câmeras gigantes, capturando imagens do topo das nuvens. Essas fotos, atualizadas a cada poucos minutos, permitem acompanhar a formação e o deslocamento de grandes sistemas meteorológicos, como frentes frias ou áreas de instabilidade.
Além das imagens visíveis, os satélites usam sensores infravermelhos para medir a temperatura no topo das nuvens. Nuvens mais altas e frias geralmente indicam um maior potencial para tempestades, fornecendo um alerta precoce antes mesmo de a chuva começar.
O raio-x da chuva
Se os satélites mostram onde as nuvens estão, os radares revelam o que há dentro delas. Instalados em torres com alcance de até 400 quilômetros, eles emitem pulsos de energia que atingem as gotas de chuva ou granizo. A forma como essa energia retorna informa sobre a intensidade, o tamanho e o tipo de precipitação.
Muitos radares também utilizam o efeito Doppler para saber se a chuva está se aproximando ou se afastando de um local, e com qual velocidade. Isso é fundamental para emitir alertas de temporais com minutos de antecedência e para os aplicativos que mostram o mapa de chuva em tempo real.
Calculando o futuro do tempo
Todos esses dados, combinados com medições de temperatura e umidade de milhares de estações em terra e no mar, são enviados para supercomputadores. Eles processam trilhões de cálculos por segundo para rodar os chamados modelos numéricos de previsão.
Esses modelos são, na prática, simulações matemáticas do futuro da atmosfera. Eles geram os mapas e gráficos que indicam a probabilidade de chuva, a temperatura e a direção do vento para as próximas horas e dias, que servem de base para o trabalho do meteorologista. No Brasil, essa tarefa é coordenada por órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Inpe.
Por que a previsão nem sempre acerta?
Apesar de toda a tecnologia, a atmosfera é um sistema caótico e dinâmico. Um pequeno fator não previsto, como uma brisa marítima mais forte ou a influência de uma montanha, pode alterar todo o cenário em uma determinada região, fazendo com que a chuva ocorra em um bairro, mas não no outro.
Por essa razão, previsões de curto prazo, para as próximas horas, costumam ter um índice de acerto muito alto. Já para períodos mais longos, como sete ou dez dias, a margem de erro aumenta consideravelmente, pois pequenas incertezas iniciais se amplificam com o tempo.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
