A Polícia Federal prendeu em 16 de janeiro, por ordem do STF, um sérvio que já foi condenado no Brasil por integrar uma máfia que atua junto do PCC no tráfico de cocaína à Europa. Alvo de um pedido de extradição de seu país, em tramitação no Supremo, Miroslav Jevtic, de 45 anos, foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. A prisão foi ordenada por Edson Fachin em 30 de dezembro.
O pedido da Sérvia ao Brasil é para que Jevtic seja extraditado ao país para responder por tráfico internacional de drogas. Ele é investigado pela Justiça sérvia pelo envio de mais de duas toneladas de cocaína da América do Sul à Europa em 2009.
O processo da Justiça Federal de São Paulo que condenou Miroslav Jevtic a 17 anos e 8 meses de prisão, por sua vez, também tratava de tráfico internacional. A ação foi aberta a partir da Operação Brabo, que foi deflagrada pela PF em 2017 e levou à apreensão de nove toneladas de cocaína.
Segundo a ação penal, sentenciada em maio de 2019, o sérvio atuava na Baixada Santista sob o codinome de “Felipe” e era um dos principais integrantes no Brasil do Clã Saric, máfia sérvia que trabalhava com o PCC no tráfico de cocaína a países como Itália, Rússia, Bélgica, Espanha e Inglaterra.
A sentença do juiz Silvio Cesar Arouck Gemack considerou Miroslav Jevtic culpado pelo tráfico de 384 quilos da droga apreendidos no porto de Gioia Tauro, no sul da Itália, em outubro de 2016. Jevtic ficou preso preventivamente no Brasil por cerca de quatro anos e apela no processo em liberdade. Ele é casado com uma brasileira e tem três filhos com ela.
Depois da prisão do sérvio, os advogados dele pediram ao Supremo que a prisão seja revogada ou convertida em medidas cautelares.
Em petição apresentada na última quarta-feira, 21, a defesa de Miroslav Jevtic alegou que não há ação penal instaurada contra ele na Sérvia, que a prisão em seu país de origem é temporária e foi decretada no âmbito de uma investigação. O passaporte de Jevtic, conforme seus defensores, foi entregue às autoridades no âmbito do processo a que ele responde na Justiça Federal.
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Embora a decisão de prender o sérvio tenha sido de Edson Fachin, presidente do STF, o relator do processo de extradição dele no Supremo é Flávio Dino. A ordem de Fachin foi dada durante o recesso da corte, em regime de plantão.
