Alexandre de Moraes autorizou nesta segunda-feira, 19, que o general da reserva Fernando Azevedo e Silva, ex-ministro da Defesa do governo Jair Bolsonaro, faça visitas regulares a Augusto Heleno na prisão domiciliar. A permissão do ministro para Azevedo se encontrar com Heleno sem ter que pedir autorização a cada visita também inclui dois filhos, um genro, uma nora e dois netos do ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional.
Moraes assinalou que as visitas a Heleno devem ocorrer às quartas e quintas-feiras de 8h às 10h, 11 às 13h ou 14h às 16h.
Como lembrou a coluna em novembro, Azevedo foi protagonista de um episódio marcante sob Bolsonaro, que mostrou muito da visão distorcida do ex-presidente sobre as Forças Armadas. Bolsonaro demitiu Fernando Azevedo no final de março de 2021, após fazer pressões políticas sobre o ministro. Ele pretendia que as Forças estivessem alinhadas politicamente ao governo.
Ao se despedir do ministério, o general divulgou uma nota que soou como recado contra interferências políticas no meio militar. “Nesse período, preservei as Forças Armadas como instituições de Estado”, escreveu Azevedo, que, antes de ser nomeado ministro, havia atuado como assessor de Dias Toffoli na Presidência do STF.
A demissão de Fernando Azevedo deflagrou uma crise militar no governo — a mais aguda 1977, quando Ernesto Geisel demitiu o ministro do Exército, Sylvio Frota, expoente da linha-dura do regime militar.
Em apoio a Azevedo e insatisfeitos com atitude de Bolsonaro, os comandantes do Exército, general Edson Pujol; da Marinha, almirante Ilques Barbosa; e da Aeronáutica, brigadeiro Antônio Carloz Bermudez, planejaram entregar os cargos conjuntamente. O então presidente se antecipou ao movimento e exonerou os três.
Fernando Azevedo foi substituído na pasta da Defesa por Walter Braga Netto, então ministro da Casa Civil — que também viria a ser condenado no julgamento da tentativa de golpe e preso para cumprir pena, no Rio de Janeiro.
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Azevedo atualmente é vice-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade que reúne mineradoras e empresas do setor.
