A mastopexia registrou o maior aumento percentual entre as cirurgias de mama no mundo. Segundo a Pesquisa Global da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), divulgada em setembro de 2026, o procedimento cresceu 48% em 2025, ano em que foram realizados 4,7 milhões de procedimentos mamários. O Brasil ocupa o primeiro lugar mundial em procedimentos cirúrgicos estéticos, com 2,3 milhões de cirurgias.

A mastopexia, procedimento que corrige a queda das mamas por meio do reposicionamento dos tecidos, pode utilizar diferentes padrões de incisão, conforme a anatomia e o grau de flacidez. Segundo a American Society of Plastic Surgeons (ASPS), a escolha da técnica depende de características como tamanho e formato das mamas, posição das aréolas, elasticidade da pele e quantidade de tecido excedente.

Entre as alternativas disponíveis, a mastopexia com cicatriz em L busca reduzir a extensão da incisão horizontal. Na técnica em T invertido, essa incisão acompanha todo o sulco inframamário; no padrão em L, ela se limita à porção lateral da mama, o que diminui o comprimento total da cicatriz. Uma revisão publicada na revista Plastic and Reconstructive Surgery analisou diferentes técnicas de mastopexia com cicatrizes limitadas, incluindo abordagens periareolares, verticais e em L. Os autores destacaram que nenhuma técnica atende satisfatoriamente a todos os graus de queda mamária, o que reforça a necessidade de selecionar o procedimento conforme as características de cada paciente.

A aplicação dessas técnicas também aparece em estudos clínicos de maior abrangência. Uma pesquisa publicada em 2023 na revista Plastic and Reconstructive Surgery avaliou 632 pacientes submetidas à mastopexia com implantes e cicatriz em L, utilizando uma abordagem multiplanar. O estudo registrou acompanhamento entre 12 e 84 meses e taxa geral de complicações de 19,3%, sendo 10,44% consideradas menores e 8,86% classificadas como maiores, com necessidade de retorno ao centro cirúrgico. Os resultados demonstram a aplicação clínica da técnica e também evidenciam a importância de discutir riscos e limitações durante o planejamento.

Planejamento e segurança orientam a escolha da técnica

Em Belo Horizonte (MG), o cirurgião plástico Henrique Leite Freitas (CRM-MG 50.823 | RQE 35.687) desenvolveu o Método L Science, associado a um molde de marcação pré-operatória para mastopexias e mamoplastias redutoras. O dispositivo consta no registro brasileiro de modelo de utilidade BR 20 2020 022222-3, com concessão publicada em maio de 2026, conforme publicação do INPI.

A ferramenta foi concebida para auxiliar a marcação de cirurgias com cicatriz em L, utilizando referências anatômicas no planejamento das incisões. A proposta busca tornar essa etapa mais padronizada, sem dispensar a avaliação individualizada e os critérios de segurança cirúrgica. 

Segundo Freitas, a redução da cicatriz não pode se sobrepor aos critérios de segurança. "O planejamento precisa respeitar a vascularização dos tecidos, a posição das aréolas e a quantidade de pele que a cirurgia deve remover. A cicatriz reduzida é um objetivo, mas a segurança determina os limites da técnica", explica o especialista.

Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Freitas tem especialização em Cirurgia Plástica pelo Hospital da Baleia, em Belo Horizonte. O médico também é cofundador do MBS – Mastering Breast Surgery, programa de educação médica voltado ao aperfeiçoamento de técnicas de cirurgia mamária. Sua atuação educacional inclui apresentações científicas e demonstrações cirúrgicas em eventos internacionais, entre os quais o Congresso Nacional de Cirurgia Plástica da Rússia, onde apresentou a abordagem de mastopexia com cicatriz em L.

Para Freitas, o desenvolvimento de instrumentos de marcação integra uma discussão mais ampla sobre padronização e precisão na cirurgia plástica. O especialista ressalta que a avaliação pré-operatória deve considerar não apenas o resultado estético pretendido, mas também o histórico clínico, a qualidade dos tecidos, os exames, as condições de cicatrização e a estrutura hospitalar.

"Criei o molde porque a marcação feita à mão livre pode variar entre cirurgiões e até mesmo entre as mamas de uma mesma paciente. Com referências anatômicas fixas, o planejamento da cicatriz reduzida passa a respeitar os limites de vascularização dos tecidos", afirma.

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A evolução das técnicas de mastopexia indica que o aprimoramento do resultado envolve mais do que diminuir a extensão das cicatrizes. Estudos científicos e a experiência clínica mostram que a escolha das incisões, a preservação dos tecidos e o acompanhamento médico precisam atuar de forma integrada. Nesse contexto, métodos de planejamento e marcação pré-operatória ampliam as possibilidades técnicas, enquanto a seleção individualizada e o controle dos riscos permanecem como fundamentos da cirurgia mamária.



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