Cerca de 37 milhões de brasileiras têm entre 40 e 65 anos, intervalo em que costumam surgir os sinais da transição para a menopausa, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados pela Rádio Gov. Uma revisão científica publicada na Clinical and Experimental Dermatology indica que até 64% das mulheres atendidas em ambulatórios de menopausa relatam problemas cutâneos. Nesse contexto, a Dra. Telma Giordani, da Clínica TG, em Porto Alegre, estruturou a consulta integrativa, avaliação que considera pele, cabelo, alterações hormonais, sinais e rotina antes de indicar qualquer procedimento.

Segundo a médica, as pacientes que chegam ao consultório nessa fase costumam relatar uma transformação repentina. “A queixa mais comum é: ‘minha pele mudou de repente’. E faz sentido, porque, a partir da perimenopausa, o estrogênio começa a cair, e ele é um grande aliado da pele. Com essa queda, diminuem a produção de colágeno, a hidratação e a elasticidade. A pele fica mais fina, mais seca, perde o viço, e a flacidez aparece principalmente no contorno do rosto e no pescoço”, explica.

A literatura médica dimensiona essa perda. De acordo com a mesma revisão, quase um terço do colágeno da pele desaparece nos cinco primeiros anos após a menopausa, com redução de 2,1% ao ano ao longo dos 15 anos seguintes.

As mudanças também alcançam os fios e a pigmentação. “Manchas como o melasma podem piorar. No cabelo, muitas mulheres notam afinamento dos fios, menos volume e mais queda. Nem tudo é só hormônio: tireoide, ferritina e vitamina D baixas também influenciam, por isso vale investigar antes de tratar”, afirma Dra. Telma Giordani.

Avaliação começa antes do espelho

O modelo de tratamento da Clínica TG foi organizado após uma temporada de atualização da médica em Harvard. “A consulta começa bem antes do espelho. Primeiro eu quero conhecer a mulher: rotina, sono, alimentação, nível de estresse, medicações, histórico de saúde, fase hormonal e o que ela já fez em termos estéticos”, descreve.

Exames laboratoriais podem ser solicitados antes do encontro e, quando há necessidade, o acompanhamento é feito em conjunto com ginecologista ou endocrinologista. Depois vem a análise facial, com foco em qualidade da pele, estrutura óssea, sustentação, proporções e expressões. “Por último, e talvez o mais importante, converso sobre expectativas. A queixa inicial é o ponto de partida, mas raramente é o único ponto a ser tratado”, diz.

A lógica dialoga com a dermatologia integrativa, que entende a pele como reflexo dos estados emocional, imunológico e neuroendócrino do organismo. “Se eu trato uma flacidez com um procedimento excelente, mas a paciente dorme mal, está com deficiência nutricional ou em uma fase hormonal desequilibrada, o resultado vai ser menor e durar menos. Quando eu entendo o contexto, consigo indicar o procedimento certo, no momento certo, e muitas vezes percebo que ela precisa de menos intervenção do que imaginava”, avalia.

Sono e estresse entram na conta

Um estudo clínico do University Hospitals Case Medical Center, nos Estados Unidos, com 60 mulheres de 30 a 49 anos, identificou mais sinais de envelhecimento intrínseco da pele entre as participantes com sono de baixa qualidade. Entre as que dormiam bem, a recuperação da barreira cutânea foi 30% superior 72 horas após uma agressão controlada.

“O sono é o momento em que a pele se regenera; quem dorme mal tem uma pele mais opaca, com olheiras e cicatrização mais lenta. O estresse crônico eleva o cortisol, que favorece inflamação, acne, queda de cabelo e degradação do colágeno”, observa Telma Giordani. Ela acrescenta que uma alimentação rica em açúcar acelera a glicação, processo que deixa as fibras da pele mais rígidas, e que a saúde emocional se manifesta na expressão, na postura e no brilho do olhar. “Na avaliação integrativa, eu pergunto sobre tudo isso e oriento a paciente, porque não existe procedimento que compense uma rotina que está desgastando a pele todos os dias”, completa.

Ordem e intervalo definem o plano

“Na Clínica TG, o plano é montado como uma estratégia, não como uma lista de procedimentos”, revela a Dra. Telma Giordani. Depois de identificar a fase biológica da paciente, a primeira etapa se concentra na qualidade da pele e no estímulo de colágeno, com bioestimuladores e tecnologias.

Na sequência, entram sustentação e reposição de volume nas áreas em que houve perda e, por fim, refinamentos como a toxina botulínica. “A ordem importa porque cada etapa prepara a próxima. E o intervalo importa porque o colágeno leva semanas, às vezes meses, para ser produzido. Se eu faço tudo de uma vez, corro o risco de exagerar em algo que o próprio organismo ainda ia melhorar”, detalha.

O debate ganha peso em um país com alta procura por intervenções estéticas. O Brasil somou 3,1 milhões de procedimentos em 2024 e ficou em segundo lugar no mundo, atrás dos Estados Unidos, conforme o levantamento global da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS, na sigla em inglês).

Na visão da profissional, a falta de planejamento vai além da aparência. “O maior risco é perder a própria identidade. Quando a mulher faz procedimentos soltos, cada vez com um objetivo diferente e sem uma visão do todo, o rosto começa a perder harmonia: volumes excessivos, aspecto inchado, expressão artificial. Há também riscos técnicos, como complicações e acúmulo de produto”, alerta.

Na autoestima, segundo ela, o efeito costuma ser o inverso do esperado: a paciente deixa de se reconhecer e entra em um ciclo de correções. “Meu papel muitas vezes é dizer ‘agora não’ ou ‘você não precisa disso’. Isso também é cuidado”.

A responsável pela Clínica TG ressalta que toda indicação depende de avaliação individual e que a saúde da pele exige orientação segura e baseada na ciência. “Minha proposta nunca foi transformar ninguém em outra pessoa. É ajudar homens e mulheres a atravessar essa fase, sentindo-se bem com o que veem no espelho, com saúde e com naturalidade. Beleza, para mim, é consequência de cuidado”, conclui.

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