O turismo ainda é frequentemente apresentado pela paisagem, pela experiência e pelo desejo de viajar. Os números, porém, revelam uma dimensão muito maior. Por trás de cada deslocamento existe uma cadeia econômica que conecta transportes, alimentação, tecnologia, agricultura, cultura, comércio, eventos, serviços e milhares de pequenos negócios.
Em 2025, viagens e turismo contribuíram com US$ 11,6 trilhões para o Produto Interno Bruto mundial, o equivalente a 9,8% da economia global, segundo o Economic Impact Research 2026, do World Travel & Tourism Council (WTTC), desenvolvido em colaboração com a Oxford Economics. O levantamento aponta ainda que o setor sustentou 366 milhões de empregos, aproximadamente um em cada nove postos de trabalho no planeta.
É essa dimensão do turismo como atividade econômica que Gisele Abrahão, CEO e fundadora da GVA — Global Vision Access e da Plataforma Impactos Positivos — acredita que o Brasil precisa compreender e explorar melhor.
“Quando pensamos no turismo como um ecossistema, percebemos que praticamente tudo está conectado”, afirma Abrahão.
Uma indústria que começa antes da viagem e continua depois dela
O visitante se desloca, alimenta-se, compra, contrata serviços, consome cultura e participa de experiências. Sua presença pode gerar receita para motoristas, guias, restaurantes, agricultores, artesãos, artistas, produtores de eventos, operadores, pequenos meios de hospedagem e uma extensa rede de fornecedores.
“Por trás de uma experiência turística existem guias, artesãos, cozinheiras, agricultores familiares, pescadores, artistas, pequenos meios de hospedagem, restaurantes, transportadores, produtores culturais e inúmeros outros empreendedores”, diz Abrahão.
Segundo o WTTC, visitantes internacionais gastaram US$ 2,02 trilhões no mundo em 2025, enquanto as viagens domésticas movimentaram US$ 5,63 trilhões.
O Brasil e uma oportunidade econômica ainda maior
No Brasil, o turismo já movimenta uma parcela relevante da economia. De acordo com estudo do WTTC elaborado em colaboração com a Oxford Economics, viagens e turismo contribuíram com quase US$ 167 bilhões para o PIB brasileiro em 2024. Naquele ano, 8,1 milhões de empregos estavam ligados à atividade.
As perspectivas mais recentes do WTTC indicam continuidade desse movimento. Para 2026, a entidade projeta crescimento de 2,1% do PIB de viagens e turismo no Brasil e avanço de 3% nos gastos dos visitantes internacionais.
A questão, para Abrahão, não está apenas em aumentar o fluxo de viajantes, mas em ampliar a capacidade de transformar cada viagem em desenvolvimento econômico para os territórios.
O que permanece quando o viajante vai embora
Quando fornecedores e empreendedores locais participam da cadeia turística, uma parcela maior da riqueza produzida pela viagem tem a possibilidade de permanecer na região que recebeu o visitante.
Agricultores podem abastecer hotéis e restaurantes, artesãos encontram novos consumidores e negócios culturais conquistam mercado.
“Um negócio de impacto consegue olhar para tudo isso e transformar ativos culturais, sociais e ambientais em desenvolvimento econômico sem necessariamente descaracterizá-los”, afirma Abrahão.
Essa equação é particularmente importante para um país cujos grandes ativos turísticos incluem biodiversidade, gastronomia, manifestações culturais, comunidades e conhecimentos tradicionais. Em vez de colocar preservação e atividade econômica em lados opostos, o desafio está em desenvolver modelos nos quais uma possa fortalecer a outra.
Quando preservar também passa a ter valor econômico
Para Abrahão, o reconhecimento econômico de determinados ativos pode criar novos incentivos para protegê-los.
Quando essa renda permanece no território e alcança diferentes participantes da cadeia produtiva, o turismo passa a funcionar também como instrumento de desenvolvimento local.
Essa lógica está presente na Plataforma Impactos Positivos, criada por Abrahão para conectar empresas, organizações e lideranças que desenvolvem soluções capazes de produzir impactos econômicos, sociais e ambientais.
Uma plataforma onde diferentes setores se encontram
Soluções de tecnologia, acessibilidade, mobilidade, economia circular, energia e bioeconomia podem ser incorporadas por diferentes negócios e destinos turísticos.
É nesse cruzamento que atua a Plataforma Impactos Positivos. A iniciativa conecta empresas, pessoas e organizações de diferentes áreas e realiza anualmente o Encontro Impactos Positivos, que reúne painéis, palestras, mentorias, conexões e networking, além do Prêmio Impactos Positivos.
Em 2026, a sexta edição terá como tema “Inteligência Artificial para Acelerar o Impacto Positivo”. Segundo dados da organização, mais de 150 empresas se inscreveram para a premiação, que combina votação popular, avaliação técnica e análise de júri.
O Encontro Impactos Positivos será realizado em 24 de setembro de 2026, das 13h às 18h, no Auditório FIAP, na Avenida Paulista, em São Paulo.
Quando turismo se transforma em estratégia econômica
O peso econômico da atividade ajuda a explicar por que alguns países passaram a incorporar o turismo de maneira explícita às suas estratégias de desenvolvimento.
Gisele Abrahão explica que há muitos países no mundo que entendem o turismo como uma indústria e um importante motor econômico. Segundo ela, o Brasil não precisa simplesmente copiar esses modelos, mas se inspirar neles e compreender o potencial que possui.
“O Brasil tem um dos maiores, se não o maior, potencial para fazer dessa indústria muito mais forte e produtiva”, afirma.
É justamente nesse ponto que turismo e economia convergem. O visitante escolhe um destino em busca de uma experiência. O país que o recebe pode enxergar algo maior: entrada de recursos, geração de empregos, mercado para pequenos negócios, fortalecimento de cadeias produtivas e valorização de ativos.
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Para a CEO, quando o turismo é compreendido dessa maneira, deixa de ocupar apenas o território simbólico das férias e do lazer e passa a ocupar um espaço relevante na economia.
Website: https://impactospositivos.com
