A evolução da tecnologia e do monitoramento de dados do corpo humano vem transformando a maneira como profissionais do esporte acompanham desempenho, recuperação e saúde. Pesquisas indicam que recursos capazes de medir respostas fisiológicas e fornecer informações individualizadas ampliaram as possibilidades de avaliação dos atletas e passaram a exercer papel cada vez mais relevante na preparação esportiva.
Essa relação entre ciência, tecnologia e experiência profissional é um dos temas abordados pelo fisiologista Dr. Turíbio Leite de Barros Neto, em entrevista concedida ao apresentador SanDRÃO, no programa Business Rock. Com uma longa trajetória profissional e passagem de 25 anos pelo São Paulo Futebol Clube, o especialista relembrou episódios de sua carreira e explicou como a fisiologia e a tecnologia modificaram a preparação de atletas ao longo do tempo.
A discussão ocorre em um momento de expansão das tecnologias voltadas ao acompanhamento da atividade física. O American College of Sports Medicine (ACSM) colocou os dispositivos vestíveis no primeiro lugar entre as tendências fitness de 2026. Relógios inteligentes, monitores cardíacos e outros sensores, por exemplo, permitem acompanhar diferentes indicadores fisiológicos. Na mesma pesquisa, a tecnologia orientada por dados aparece entre as dez principais tendências, com aplicações relacionadas à individualização do treinamento e ao acompanhamento da recuperação.
Durante o bate-papo com SanDRÃO, Dr. Turíbio destacou justamente a importância de reconhecer que atletas submetidos às mesmas condições podem apresentar respostas fisiológicas bastante diferentes. Segundo ele, a evolução dos recursos disponíveis tornou possível conhecer de maneira cada vez mais detalhada o comportamento individual durante uma competição.
“Hoje você sabe com detalhes absurdos, de minúcias, o que cada atleta faz durante os 90 minutos. E é muito diferente de um atleta para outro”, afirmou.
Para o especialista, essas diferenças precisam ser consideradas na preparação esportiva. “Se o que ele faz é diferente, a preparação que ele precisa ter deve respeitar essa diferença”, explicou.
Um dos episódios relembrados por Dr. Turíbio ocorreu durante a preparação do São Paulo para a Libertadores de 1992. Diante da necessidade de disputar uma partida em condições de altitude, o fisiologista realizou testes em laboratório simulando uma altitude de aproximadamente 3,7 mil metros e avaliou individualmente os jogadores.
Os resultados demonstraram respostas muito diferentes. Segundo relatou, enquanto alguns atletas apresentavam quedas de desempenho que chegavam à faixa de 30% a 40%, outros registravam reduções próximas de 8% a 10%. As informações foram levadas à comissão técnica e contribuíram para a estratégia adotada pela equipe. “Não é todo mundo que sente a altitude do mesmo jeito”, ressaltou Dr. Turíbio.
O relato mostra como a utilização de informações fisiológicas para orientar decisões esportivas já fazia parte do trabalho desenvolvido pelo especialista décadas antes da atual popularização de sensores, dispositivos vestíveis e sistemas digitais de monitoramento.
Tecnologia e longevidade
A tecnologia também foi relacionada à longevidade dos atletas. Questionado por SanDRÃO sobre a contribuição dos avanços tecnológicos para o prolongamento da carreira esportiva, Dr. Turíbio foi categórico. “Sem dúvida, Sandro. Hoje você tem muito recurso que prolonga a carreira esportiva do atleta”, afirmou.
Segundo o especialista, a longevidade no esporte envolve diferentes fatores, entre eles características genéticas, disciplina profissional, recursos tecnológicos e avanços da nutrição esportiva.
A evolução dessas ferramentas acompanha um movimento mais amplo no setor. Além de colocar os dispositivos vestíveis na liderança das tendências fitness de 2026, o ACSM destaca o avanço das tecnologias orientadas por dados, capazes de utilizar informações fisiológicas em tempo real para individualizar treinamentos e acompanhar a recuperação.
Pesquisas aplicadas que deram certo
A entrevista também abordou pesquisas realizadas ao longo da trajetória de Dr. Turíbio. Entre elas, o especialista relatou um estudo desenvolvido durante seu trabalho na Portuguesa, que envolveu fitas de aplicação muscular contendo canabidiol. “Nós fizemos um estudo com essas fitas mostrando o quanto se recupera mais rápido usando o canabidiol direto no músculo”, contou.
De acordo com Dr. Turíbio, o trabalho teve duração de três meses, resultou na produção de um artigo científico e foi posteriormente apresentado em um congresso do American College of Sports Medicine, realizado em Salt Lake City, nos Estados Unidos.
Ao longo da conversa, SanDRÃO destacou a importância de transformar conhecimento científico em aplicação prática. Ao comentar os exemplos apresentados pelo fisiologista, resumiu: “Não é só você ficar pesquisando, é você pesquisar e aplicar aquilo. Você vê o resultado”, reiterou o apresentador.
Além das discussões sobre fisiologia e tecnologia, o episódio percorreu diferentes momentos da trajetória pessoal e profissional de Dr. Turíbio. No encerramento, ao ser questionado sobre qual conselho daria a si mesmo quando tinha 12 anos, o especialista deixou uma mensagem relacionada às experiências acumuladas ao longo da carreira.
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“Acredite em você, sempre. Seja arrojado, não tenha medo de encarar as coisas, mesmo que ninguém tenha feito. Vai lá e tenta fazer. Seja honesto, seja leal e ajude o próximo”, finalizou o especialista.
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