Para mães que acompanham a internação de um filho na UTI Neonatal, manter a amamentação nem sempre ocorre da forma imaginada. Quando o recém-nascido ainda não consegue sugar ou precisa receber parte da alimentação por sonda, a ordenha se torna uma alternativa para garantir que o leite materno continue fazendo parte do cuidado dele.
Essa é a rotina de Fernanda Cristina Ludovico Martins. Mãe de um bebê internado no Hospital Vitória Anália Franco, ela utiliza a sala de coleta de leite materno da instituição para retirar e armazenar o leite que será oferecido ao filho nos períodos em que não está ao lado dele.
“Foi aí que eu vi que poderia continuar deixando o meu leite para ele. Eu dou de mamar o dia inteiro e deixo o leite para ele tomar de madrugada”, conta.
A experiência de Fernanda reflete uma realidade frequente nas UTIs neonatais. Mesmo quando a amamentação direta ainda não é possível, o leite materno pode continuar sendo oferecido ao bebê, de acordo com sua condição clínica e com a orientação da equipe assistencial.
No Hospital Vitória Anália Franco, da Rede Total Care, esse suporte é oferecido por meio de uma sala de coleta de leite materno integrada ao lactário da instituição. O espaço permite a coleta, identificação, armazenamento, manipulação e distribuição do leite ordenhado pelas mães para seus próprios filhos.
Durante a gestação, Fernanda já sabia que o bebê nasceria com uma cardiopatia congênita e buscou acompanhamento em uma instituição preparada para recebê-lo após o parto. Depois do nascimento, ele foi encaminhado à UTI Neonatal.
Além dos desafios da internação, ela precisou aprender uma nova forma de alimentar o filho. Como outras mães de bebês internados, recebeu orientação da equipe multidisciplinar sobre a importância da ordenha e o funcionamento da sala de coleta. No primeiro atendimento, nutricionistas explicam o uso da bomba, dos kits de coleta e dos protocolos de higiene. Nos atendimentos seguintes, a lactarista acompanha o processo e oferece suporte sempre que necessário.
Com o passar dos dias, as sessões de ordenha passaram a fazer parte da rotina de Fernanda dentro do hospital.
Quando o bebê ainda não consegue mamar
A estrutura é especialmente importante para recém-nascidos prematuros ou que apresentam dificuldades para coordenar sucção, deglutição e respiração. Também atende bebês que, por questões clínicas, precisam receber parte da alimentação por sonda.
Nesses casos, o leite ordenhado pela própria mãe continua sendo a primeira opção sempre que estiver disponível e houver indicação clínica para seu uso. Dependendo da evolução do bebê, a alimentação pode ser oferecida por sonda, copinho, seringa ou diretamente no peito quando ele já apresenta condições para mamar.
Segundo Vanessa, nutricionista do Hospital Vitória Anália Franco, o suporte à mãe faz parte do cuidado integral ao recém-nascido. "Na UTI Neonatal, nem sempre mãe e bebê conseguem vivenciar a amamentação da forma tradicional. A sala de coleta de leite materno ajuda a preservar esse vínculo e oferece à mãe apoio para continuar fornecendo seu leite ao filho."
Após a coleta, o leite passa por um rigoroso processo de controle e rastreabilidade. Cada recipiente é identificado com informações da mãe e do bebê, além da data, do horário e do volume coletado. Antes de seguir para o lactário, todos os dados são conferidos pela equipe responsável.
No lactário, os profissionais calculam a quantidade necessária para cada alimentação com base na prescrição médica. O leite é então manipulado, porcionado e armazenado seguindo protocolos de segurança adotados pela instituição. No momento da alimentação, é aquecido e encaminhado à UTI Neonatal para ser administrado conforme a orientação da equipe assistencial.
A sala de coleta funciona 24 horas por dia e comporta simultaneamente até três mães. Durante o período diurno, uma lactarista permanece disponível para orientação e acompanhamento. À noite, a profissional pode ser acionada conforme a necessidade. Cada sessão de ordenha dura, em média, 30 minutos, e os horários são organizados para oferecer mais conforto às famílias.
Uma rede de apoio para mães e bebês
O funcionamento do lactário envolve uma equipe multiprofissional composta por profissionais de enfermagem, nutrição, neonatologia, fonoaudiologia, psicologia e lactaristas. Cada especialidade contribui para diferentes etapas do cuidado ao recém-nascido e à família.
Além do suporte técnico, o hospital também desenvolve iniciativas voltadas ao acolhimento emocional das mães. Entre elas estão rodas de conversa semanais com familiares de bebês internados na UTI Neonatal, conduzidas por profissionais de diferentes áreas para esclarecimento de dúvidas e troca de experiências. A unidade conta ainda com uma sala de descanso destinada às mães.
Para Fernanda, esse apoio vai além do aspecto assistencial. "Além de me ensinarem a tirar o leite, sempre me senti acolhida. A equipe de enfermagem e o suporte psicológico fizeram diferença nesse período tão difícil", relata.
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A trajetória da mãe evidencia uma particularidade da assistência neonatal: mesmo quando a amamentação direta ainda não é possível, existem alternativas para que o leite materno continue presente na alimentação do bebê e para que a mãe permaneça participando ativamente do cuidado.
Website: https://redetotalcare.com.br/
