A Bahia Terra Turismo & Eventos, agência de viagens e receptivo que atua no estado desde 2006, organiza transfers e passeios em destinos como Salvador, Morro de São Paulo, Ilha de Boipeba e Chapada Diamantina, segmento em que o deslocamento costuma determinar o resultado do roteiro.

Entre as experiências conduzidas pela empresa estão o trekking no Vale do Pati, a travessia de catamarã até Morro de São Paulo e o traslado de lancha saindo da capital para Boipeba, três percursos que exigem a combinação de trechos por terra, por mar e a pé. Cadastrada no Ministério do Turismo e na Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV), a operação tem sede em Salvador e na Ilha de Boipeba, com bases em Morro de São Paulo, Península de Maraú, Itacaré, Chapada Diamantina e Litoral Norte.

A dimensão do território ajuda a explicar o peso da logística na montagem de um itinerário baiano. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado ocupa uma área territorial de 564.763,876 quilômetros quadrados, distribuída por 417 municípios. A distância entre os polos turísticos mais procurados coloca o visitante diante de conexões que envolvem rodovia, embarcação e, em alguns casos, voo, cada uma com horário próprio e sujeita a condições de mar, maré e clima.

Trekking no Vale do Pati pede preparo e roteiro compatível

Na Chapada Diamantina, a travessia do Vale do Pati é conduzida em formato de caminhada de vários dias, com pernoite em casas de moradores da região. O Parque Nacional da Chapada Diamantina reúne cerca de 300 quilômetros de trilhas e 38 acessos de entrada, sem sinalização e sem cobertura de telefonia móvel, razão pela qual o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) orienta a contratação de condutor de visitantes e o aviso prévio a familiares sobre o percurso, conforme as informações de visitação publicadas pelo órgão.

“O trekking de três a sete dias no Vale do Pati exige preparo físico, disposição e abertura para uma experiência diferente do turismo convencional. São vários dias de caminhada, com subidas, descidas, calor e mudanças de clima, além de pernoites em casas de moradores. Por isso, é fundamental escolher um roteiro adequado ao perfil do viajante”, afirma Felipe Oliveira Pedreira, CEO da Bahia Terra Turismo.

Para o executivo, parte do que sustenta a procura pela travessia escapa ao registro fotográfico. “Mas o Pati oferece algo que a fotografia não consegue traduzir: o silêncio, o isolamento, o contato com os moradores e a transformação da paisagem ao longo do dia. É uma experiência de natureza, cultura e superação pessoal”, completa.

Catamarã e lancha atendem destinos distintos

Morro de São Paulo e a Ilha de Boipeba são alcançados apenas pela água, e a escolha da embarcação altera tempo de viagem e conforto a bordo. De acordo com Pedreira, as duas modalidades operadas a partir de Salvador não são intercambiáveis. “O catamarã vai única e exclusivamente para Morro de São Paulo, e a lancha rápida vai apenas para Ilha de Boipeba. O catamarã é uma embarcação com maior estabilidade, porém anda com menos velocidade, e a lancha rápida tem mais velocidade na viagem, fazendo a viagem ser bem mais rápida”, detalha o CEO.

Erros de planejamento provoca efeito dominó

Entre as falhas mais comuns de quem monta a viagem sem apoio de receptivo, o porta-voz aponta a leitura equivocada do mapa. “O principal erro é olhar apenas a distância no mapa e não a logística real. A Bahia é muito grande, e deslocamentos aparentemente simples podem envolver carro, barco, lancha ou avião”, analisa. Outro problema recorrente, segundo ele, é a concentração de destinos em poucos dias, o que faz o turista passar boa parte da viagem em trânsito.

O executivo acrescenta que horários de embarcações, marés, condições das estradas e situação climática costumam ficar fora da conta de quem organiza o percurso sozinho. Um atraso logo no início do roteiro, avalia, pode gerar efeito dominó e levar à perda de transfers, passeios ou diárias já contratadas.

Sazonalidade orienta a ordem dos destinos

A operação varia ao longo do ano conforme mar, chuvas e volume de demanda. Pedreira percebe que o estado comporta visitação em qualquer período, desde que o itinerário seja ajustado.

“A Bahia pode ser visitada o ano inteiro, mas clima e sazonalidade influenciam bastante a operação. O mar pode afetar as travessias, enquanto as chuvas impactam estradas, acessos e alguns passeios”, explica.

Na alta temporada, conforme o CEO, o principal desafio passa a ser a demanda, com hotéis, transfers, embarcações e passeios que precisam de reserva antecipada. A recomendação da empresa é adequar o roteiro ao objetivo da viagem e definir com cuidado a sequência das cidades, providência que reduz o tempo total de deslocamento.

Perfil do viajante mudou o papel do receptivo

Com base em Boipeba desde 2006, o porta-voz observa uma transformação no comportamento de quem chega ao estado. O turista passou a pesquisar mais antes de viajar e a demandar experiências autênticas e personalizadas, o que deslocou a função do receptivo do simples transporte para a integração de modais, horários, marés, clima e perfil de cada viajante.

“Depois de duas décadas no setor, vejo que o grande diferencial é antecipar os detalhes. O turista quer liberdade para explorar, mas precisa de uma operação bem organizada para que essa liberdade aconteça sem imprevistos”, conclui.

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