Advogado e executivo, Diego Rodriguez Gonçales afirma que passou anos na posição de quem resolvia os problemas dos outros e adiava os próprios. Foi a partir desse relato pessoal que ele desenvolveu o Emotize, aplicativo de apoio ao bem-estar emocional disponível na App Store e no Google Play.
Sinais que não apareciam na agenda
Segundo Diego, a rotina de trabalho não indicava o que ocorria em paralelo. Ele conta que acordava exausto mesmo depois de oito ou nove horas de sono, chorava sem identificar um motivo claro e passava horas no celular em busca de distração. Ainda de acordo com seu relato, crises de ansiedade o acompanhavam desde muito jovem e, durante anos, seguiu em frente sem entender o que acontecia.
"Eu fazia tudo por todo mundo. Resolvia a vida de todos. Menos a minha." Chegou um momento, diz ele, em que continuar daquele jeito deixou de ser possível.
A busca por respostas
Ele relata que procurou profissionais e escutou opiniões diferentes, com resultado distinto do que esperava: "Eu entrava achando que tinha um problema e, muitas vezes, saía de lá preocupado com cinco."
O que buscava, segundo ele, era menos um diagnóstico e mais a origem do que sentia: "Eu não queria simplesmente calar o que estava sentindo. Eu queria entender de onde vinha e por que aquilo voltava."
O fundador faz uma ressalva sobre esse período: diz que a experiência não o levou a desacreditar da terapia, da medicina ou do acompanhamento psicológico e ressalta que existem situações em que esses profissionais são fundamentais. Sua avaliação é que, naquele momento, ainda não havia encontrado as respostas que procurava.
Passou então a estudar. Cita formações e estudos ligados ao comportamento humano, psicanálise, psicoterapia, terapia, neurociência e outras abordagens voltadas à compreensão das emoções no Brasil e fora...
"De tanto estudar e buscar respostas, eu acabei me tornando o profissional que eu gostaria de ter encontrado lá atrás”, conta Diego Rodriguez Gonçales.
O conceito de "ciclos emocionais abertos"
Diego diz que, ao conversar com outras pessoas, identificou relatos semelhantes ao seu. Empresários, mães e profissionais que aparentavam ter tudo sob controle descreviam, segundo ele, o mesmo conjunto de sinais: cansaço, ansiedade, culpa ao descansar, dificuldade para dormir e a sensação de estar sempre segurando alguma coisa.
Dessas observações veio o conceito que ele passou a chamar de "ciclos emocionais abertos" — situações que se encerram por fora, mas continuam em funcionamento por dentro, como uma conversa mal resolvida, uma preocupação que retorna, uma irritação engolida ou um medo que permanece ligado. Trata-se de uma formulação própria do entrevistado, não de um termo clínico reconhecido.
Para explicar a ideia, ele usa a imagem de um copo: cada situação guardada seria uma gota; no começo o copo suporta, com o tempo segue enchendo, até que um episódio aparentemente pequeno faz tudo transbordar.
"O problema muitas vezes não está na última gota. Está em tudo o que já estava acumulado antes", destaca Diego.
Da internet ao produto
Diego começou a publicar sobre o tema no perfil @saudementalfala, sem produto e sem cobrança. Diz que a comunidade passou de 500 mil pessoas e que as mensagens se tornaram diárias.
Responder individualmente a todos seria inviável, o que, conforme seu relato, motivou a decisão de organizar o conteúdo em um aplicativo. Segundo o fundador, o Emotize reúne sua própria experiência, os estudos que fez, o aprendizado dos atendimentos e a contribuição de mais de 30 especialistas.
O que o aplicativo oferece
De acordo com a descrição do produto, o Emotize funciona como um guia emocional para o dia a dia e não pretende substituir terapia ou acompanhamento psicológico, médico ou psiquiátrico. A proposta declarada é atender o momento em que a pessoa percebe que algo não está bem, mas não sabe por onde começar.
A abertura do app traz uma pergunta: "Como você está se sentindo hoje?"
É o check-in emocional. A partir da emoção informada, o usuário recebe conteúdos e percursos curtos relacionados àquele estado: uma leitura, uma pergunta, um áudio, uma respiração, uma jornada breve ou alguns minutos para desacelerar.
A estrutura do aplicativo segue três etapas — sentir, entender e superar. A primeira consiste em perceber e nomear o que está acontecendo; a segunda, em compreender o que pode estar por trás daquela emoção; a terceira, em escolher o próximo cuidado possível.
O app inclui ainda diário de gratidão, acompanhamento de hábitos e testes voltados a identificar padrões e comportamentos, além de conteúdos de diferentes profissionais sobre ansiedade, sono, autoestima, limites, alimentação e comportamento. A empresa não divulgou número de usuários, modelo de preço nem dados de eficácia do método.
O argumento do fundador
Para Diego, a principal proposta do aplicativo é antecipar o momento em que as pessoas passam a pensar em saúde mental, que na sua avaliação costuma ocorrer tarde: quando o sono já não vem, quando a ansiedade interfere na rotina ou quando o trabalho pesa demais.
Ele descreve o app como consequência de uma trajetória que começou com ansiedade e cansaço, e não como promessa de que ninguém mais terá dias ruins.
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O Emotize é uma ferramenta de apoio ao bem-estar emocional
Website: https://emotize.com.br/emotize-app
