O diagnóstico precoce é um dos principais fatores associados às chances de sucesso no tratamento do câncer. No Rio Grande do Norte, estão previstos 11,6 mil novos casos da doença em 2026, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Entre os tipos mais frequentes estão os tumores de mama, próstata, cólon e reto, pulmão e estômago.
Nesse cenário, novas tecnologias de rastreamento vêm sendo estudadas pela ciência, entre elas os chamados testes de biópsia líquida, capazes de analisar amostras de sangue em busca de sinais associados à presença de tumores. Uma dessas tecnologias é o teste Galleri, que avalia alterações no material genético presentes na circulação sanguínea e pode indicar a presença de diferentes tipos de câncer antes do surgimento de sintomas.
Os resultados do maior estudo realizado até o momento com a tecnologia foram apresentados durante a ASCO 2026, principal congresso mundial de oncologia. A pesquisa, realizada no Reino Unido, acompanhou 142.942 participantes e avaliou o impacto do teste na identificação precoce de diferentes tipos de câncer.
Os dados e as possíveis aplicações da tecnologia foram discutidos em Natal, durante um evento científico realizado no Centro Edson Bueno, recém-inaugurado no Hospital Promater, da Rede Total Care. O espaço tem como uma de suas propostas promover a atualização científica e o intercâmbio de conhecimento entre profissionais da área da saúde.
Entre os participantes submetidos ao rastreamento, houve aumento de 16% na identificação de cânceres nos estágios I e II, considerados mais precoces. Também foi observada uma redução de 14% nos diagnósticos em estágio IV, o mais avançado da doença. O benefício relacionado à redução dos casos avançados aumentou ao longo dos anos de acompanhamento.
Outro resultado de destaque foi o número de tumores identificados por meio do rastreamento, que foi quatro vezes maior no grupo submetido ao teste do que no grupo controle. Também houve redução de 21% nos diagnósticos realizados após atendimentos de emergência, situação que pode estar relacionada à descoberta da doença em fases mais avançadas.
“A possibilidade de identificar diferentes tipos de câncer por meio de uma única amostra de sangue representa uma perspectiva bastante interessante para a oncologia. Quanto mais cedo conseguirmos identificar um tumor, maiores tendem a ser as possibilidades de tratamento e controle da doença. Mas é importante interpretar esses resultados com cautela: trata-se de uma tecnologia em investigação, e ainda precisamos de estudos que demonstrem impacto em desfechos como a redução da mortalidade”, afirma Carlos Donnarumma, diretor de oncologia da Rede Total Care.
Em relação à capacidade de excluir a doença quando o resultado é negativo, o teste apresentou especificidade de 99,5%. Quando o exame indicou a possibilidade de câncer, a doença foi confirmada em aproximadamente metade dos casos. A identificação do órgão de origem do tumor também apresentou resultado considerado relevante: em 87% das vezes, a indicação do local provável do câncer estava correta. Não foram registrados eventos adversos graves relacionados ao procedimento.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que o principal objetivo do estudo não foi alcançado. A pesquisa buscava verificar se a utilização do teste reduziria significativamente o número de cânceres diagnosticados em estágios avançados, III e IV, mas não foi observada diferença estatisticamente significativa entre os grupos.
Por esse motivo, ainda não há evidências suficientes para afirmar que o uso do exame em larga escala seja capaz de reduzir a mortalidade por câncer. Esse é um dos principais parâmetros considerados para a adoção de novas estratégias de rastreamento populacional.
Enquanto os estudos avançam, a recomendação permanece sendo a realização dos exames preventivos indicados para cada faixa etária, sexo, histórico familiar e fatores de risco, além da avaliação médica diante de sinais ou sintomas persistentes.
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“Os resultados apresentados na ASCO 2026 e discutidos posteriormente no Centro Edson Bueno reforçam o potencial dos exames de sangue para ampliar a investigação de diferentes tipos de câncer, mas também evidenciam a necessidade de novas pesquisas antes de uma eventual incorporação da tecnologia aos programas de rastreamento populacional”, ressalta.
Website: https://institucional.amil.com.br/
