Uma noite em que reconhecimento, arte e história ocuparam o mesmo espaço. O Palácio das Artes, em Belo Horizonte, recebeu a 51ª edição do Troféu Palma de Ouro Brasil, promovido pelo Jornal MG Turismo, que celebra 42 anos de circulação ininterrupta homenageando personalidades da cultura, turismo, comunicação, artes e universo empresarial.
Entre os homenageados esteve Sandro Ari Pinto, o SanDRÃO, empresário, multiartista e apresentador do Business Rock (SBT/PRIME TV). Em uma mesma noite, ele recebeu o Troféu Palma de Ouro e participou como um dos artistas convidados da exposição "Encontro de Expressões", consolidando um momento emblemático de sua trajetória profissional.
A cerimônia ganhou um significado ainda maior por acontecer justamente em 2026, ano em que o Palácio das Artes completa 55 anos. Considerado um dos principais complexos culturais do país, o espaço reúne uma história construída por grandes nomes das artes brasileiras e internacionais, como Cildo Meireles, Sebastião Salgado, Milton Nascimento, Tom Jobim, Elis Regina, Chico Buarque, B.B. King, Miles Davis e Fernanda Montenegro.
"Quando você pensa em quantas histórias e quantos grandes artistas já passaram por este lugar, estar aqui como homenageado e, ao mesmo tempo, expondo meu trabalho ganha uma dimensão difícil de explicar. É um daqueles momentos em que você olha para trás e percebe o caminho percorrido", afirma SanDRÃO.
A abertura da exposição "Encontro de Expressões", promovida durante a cerimônia e com curadoria de Lucilene Bredoff e Inês Marzano, reuniu diferentes gerações e linguagens das artes visuais. Entre os participantes estavam Regina Mello, fundadora do Museu Nacional da Poesia (MUNAP), Maria Lúcia Barbosa, Luiz Chaves, Kátia Amaral, Ana e Carol Verona, Bráulio Bittencourt, Ângela Geo, Patrice Thomaz, Paulo Rogério da Silva e outros artistas convidados.
A iniciativa também dialoga com a expansão da economia criativa brasileira. De acordo com o Mapeamento da Indústria Criativa 2025, da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o setor movimenta R$ 393,3 bilhões, o equivalente a 3,59% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, além de reunir cerca de 1,26 milhão de trabalhadores formais. Os números evidenciam a crescente importância da cultura como vetor de desenvolvimento econômico, inovação e geração de valor para diferentes segmentos da sociedade.
Arte que transforma o espectador em protagonista
Entre as obras apresentadas por SanDRÃO, "Âmago" chamou a atenção pela proposta interativa. Utilizando tinta invisível, o artista criou uma segunda expressão na personagem retratada, revelada apenas quando a tela é iluminada por uma fonte específica de luz. De acordo com o artista, o visitante deixa de ser apenas observador para participar da obra, descobrindo elementos que permanecem ocultos à primeira vista.
A proposta acompanha uma transformação observada na chamada economia da experiência. Segundo relatório da McKinsey & Company, consumidores têm priorizado experiências consideradas significativas, memoráveis e capazes de fortalecer conexões pessoais, tendência que influencia setores como turismo, entretenimento, varejo e artes visuais, ampliando o interesse por experiências que envolvem participação ativa do público.
"Queria provocar curiosidade. Fazer com que a pessoa se aproximasse e descobrisse que aquilo que seus olhos enxergavam não era toda a verdade da obra. Quando vejo a reação das pessoas no momento da transformação, a arte se completa", explica SanDRÃO.
A obra despertou o interesse do escritor, jornalista e crítico de arte Rogério Zola Santiago, colaborador do MG Turismo há quatro décadas, que destacou em suas redes sociais a delicadeza do desenho das mãos e os efeitos provocados pela iluminação.
SanDRÃO também apresentou um portrait de Rogério Zola, desenvolvido com desenho, aquarela e colagem de elementos ligados à trajetória intelectual e literária do escritor. Ao final da cerimônia, a obra foi entregue como presente ao homenageado.
Um reencontro com as origens
Participar da exposição também representou um reencontro com o início de sua carreira. Antes de atuar como empresário, comunicador e apresentador de televisão, SanDRÃO iniciou sua trajetória profissional como desenhista, realizando trabalhos ligados a personagens da Disney e da Marvel.
Décadas depois, o desenho e a pintura voltaram a ocupar espaço central em sua produção artística, agora incorporando experimentações com tecnologia, efeitos visuais e novas formas de interação com o público.
"Durante a vida, minha criatividade encontrou muitos caminhos: publicidade, negócios, televisão, rádio e arte. Talvez eu tenha entendido agora que nunca precisei escolher apenas um deles. Todos fazem parte da mesma história."
No ano em que o Palácio das Artes celebra 55 anos de história, SanDRÃO entrou no espaço como artista e saiu também como homenageado.
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Entre telas, luzes e o Troféu Palma de Ouro nas mãos, diferentes capítulos de sua trajetória encontraram-se em uma mesma noite — um reconhecimento que simboliza não apenas sua produção artística, mas também a força crescente da cultura como expressão criativa, econômica e transformadora.
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